Crônica de Edelvânio Pinheiro
O aniversário de Eben chegou sem alarde, sem mesa farta, sem balões estourando pelos cantos ou bolo coberto de glacê. Mas não faltou o que realmente importa: presença, carinho e gestos que falam mais do que qualquer parabéns em coro.
Eben Howard di Joana-Kerry Pinheiro Lima — nome longo, nome cheio de história. Cada parte dele guarda um pedaço de afeto, de gente que chegou para amar antes mesmo dele nascer. Uma dessas partes é Kerry Anne, advogada de fala firme, mas coração mole quando se trata do afilhado. É dela o nome que se entrelaça ao do menino em sua certidão de nascimento, e foi dela também um dos gestos mais bonitos deste 23 de julho.
Mesmo com a agenda cheia, como sempre tem, a madrinha tirou um tempo para estar com ele. E não veio de mãos vazias; trouxe uma barraca com o desenho de uma girafa. Até parece que ela já sabia que ele reage com encanto sempre que vê uma desenhada em qualquer lugar. Ele aponta com o dedinho indicador, emite sons que só ele entende e os olhos brilham como se fosse um reencontro.
A tal girafa já fazia parte de suas pequenas obsessões. Estava em vitrines do centro da cidade, daquelas lojas coloridas de brinquedos infantis. Ele passava, via, parava e namorava. A madrinha percebeu, não sei como, parece algo espirutual, faço questão de registrar isso. E foi lá buscar o que ele ainda não sabia que teria.
Montaram tudo no tapete infantil: a barraca, as bolinhas plásticas, o riso leve e gratuito. Ah, teve também uma bela piscina, daquelas que só os bebês conhecem o valor emotivo. E ali estavam os dois, o bebê e a advogada que virou criança de novo só para brincar com ele. É essa cena que vai ficar registrada, de um aniversário sem açúcar, sem festa, mas com uma alegria verdadeira, daquelas que a gente não compra pronta.
Porque bolo ele ainda não pode comer. Não teve açúcar, nem sal, e tudo isso é intencional. Um ano inteiro sob o cuidado da mãe preservando o paladar, cuidando do que entra no corpinho pequeno que ainda está aprendendo o mundo. Foi uma escolha, não uma ausência. Foi cuidado, não limitação.
E se alguém ainda se pergunta como se comemora o primeiro ano de vida sem bolo e sem festa, a resposta é simples: comemora-se com amor, com madrinha e bebê brincando no chão e uma barraca de girafa no meio da sala.


