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Sexta-feira, 17 de Abril 2026
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Professora Maria Batista, a alquimista dos saberes

Ela pratica a arte de educar com afeto e ciência, transformando cada gesto em aprendizado.

Professora Maria Batista, a alquimista dos saberes
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Crônica de Edelvânio Pinheiro*

Ela veio de Água Preta, terra que tem nome de mistério e profundidade. E mistério e profundidade, como sabemos, cabem na alma de quem ensina. 

Maria Batista é pedagoga. Mas seria pouco dizer isso. Melhor chamá-la de alquimista. Porque ela pega o duro metal das dificuldades educacionais e transforma em ouro de aprendizagem. É especialista em Gestão Escolar, Educação Infantil, Psicomotricidade Clínica e Coordenação Pedagógica. E, como se não bastasse, recentemente terminou a Especialização em Neuroeducação: Metodologias Ativas e Práticas Inclusivas.

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Aposentada mesmo só no papel. No chão da vida, ela continua atuante, estudiosa, inteira. Certificada Professora Alfabetizadora pela rede estadual da Bahia, Maria Batista além de educadora é uma daquelas que a gente chama, com respeito, de "as maiores do país". E a terra de Água Preta produz poucas dessas. Produziu ela. E já está de bom tamanho.

Mas eu quero contar uma coisa miúda, dessas que cabem no coração de uma crônica.

Tenho um filho. Um bebê ainda, de um ano e oito meses. Cabelo meio cacheado, olhar curioso, mãozinhas que já querem pegar o mundo. E esse menino, desde cedo, mostrou que seu cérebro é uma usina. As coisas entram nele como se ele já estivesse esperando por elas há muito tempo.

Com um ano e quatro meses, ele já nomeava todas as cores. Não só o vermelho e o azul. Rosa, lilás, marrom, cinza — essas que os adultos às vezes titubeiam, ele dizia firme, sem nenhum dúvida. Com um ano e seis meses, já dominava o alfabeto inteiro. Não como decoreba. Como reconhecimento íntimo, como se cada letra fosse um amigo antigo.

Agora, aos um ano e oito meses, ele faz junções simples: B com A, BA. E conta histórias. Todas as histórias de seus livros infantis. Do seu jeito, claro — a fala ainda é um rio que não desatravancou por completo. Mas os gestos, os olhos, os sons imitativos, a sequência dos acontecimentos... Ele conta absolutamente tudo. Quem ouve se emociona e entende, principalmente a mãe dele, a poetisa Eliene Lima, a quem atribuo, com justiça, o nível de desenvolvimento a que Eben chegou.

Pois essa criança vem sendo assistida, na medida do possível, por Maria Batista. Ela orienta — com uma delicadeza que só quem entende de Psicomotricidade Clínica tem — como eu e sua mãe devemos nos comportar na educação dele. Que tipo de estímulo dar. Que brinquedos escolher. E, mais do que isso: de que maneira estar presente de corpo, alma e escuta.

Recentemente, Maria Batista mandou para ele dois brinquedos. Blocos. Cada um dentro de uma sacola que ela mesma confeccionou — capricho de quem sabe que o invólucro também educa. E em cada sacola, em EVA, o nome do meu filho.

A sacola já é afeto. O brinquedo, ciência. O nome bordado, eternidade.

É isso que Maria Batista faz: ela borda nomes, saberes. Ela pega um bebê que ainda mal fala e, com metodologias ativas que vêm da neuroeducação, faz florescer a capacidade de aprender com alegria.

Não sei se meu filho será um gênio. Sei que ele é, hoje, uma criança que brinca com blocos dentro de uma sacola com seu nome. E que, ao empilhá-los, está empilhando mundos.

Agradeço, a esta amável professora. Água Preta devia erguer uma estátua para ela. Mas, enquanto não ergue, fica aqui esta humilde crônica, feita de letras que seu trabalho ensina crianças a descobrir o mundo, através de uma dedicação quase alquímica, dessas que transformam chumbo em ouro e bebês em pequenos contadores de histórias.

*Edelvânio Pinheiro é escritor, jornalista e pai de Eben.

Créditos (Imagem de capa): Maria Batista enviou presentes educativos para Eben.

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O Água Preta News começou a operar, oficialmente, em 30 de agosto de 2016. A data – dia e mês – é a mesma do aniversário do poeta e jornalista Almir Zarfeg, cuja obra poética de estreia, “Água Preta”, deu nome ao site de notícias e entretenimento.

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