Crônica de Edelvânio Pinheiro
Meu filho, Eben Howard di Joana-Kerry Pinheiro Lima, completa nesta quarta-feira (23) seu primeiro ano de vida. Ao celebrar essa data tão especial, não posso deixar de homenagear a mulher que, com mãos firmes e coração inteiro, tem guiado seus primeiros passos, mesmo antes que eles se firmem por completo.
Foi um ano de descobertas, de noites em claro, de choros que foram acalmados por um colo sagrado, e de risos que se tornaram a trilha sonora de casa. Um ano de aprendizados silenciosos, de trocas profundas e de laços que não se desfazem nem com o tempo, nem com a distância, nem com as tempestades.
Eliene Lima — poetisa por natureza, mãe por essência — não é apenas a mulher que gerou meu filho. Ela é o próprio abrigo, o ninho, a bússola e o mar. É nela que Eben encontra o mundo traduzido em cuidado, afeto e segurança. Seu colo é mais que aconchego, é território sagrado. Sua voz embala como canto de paz. Seus olhos, atentos e doces, iluminam até os cantos mais escuros das incertezas da primeira infância.
Costumo pensar que um bebê, nos primeiros meses, ainda é parte do corpo e da alma da mãe. E vejo isso todos os dias. Eben ainda não conhece os nomes de todas as coisas, mas conhece o cheiro, o ritmo, a batida do coração da mulher que o envolve. Ainda não articula frases, mas entende profundamente a linguagem do carinho, da paciência e da presença.
É nos braços da mãe que ele aprende a confiar no mundo. É ao lado dela que ele percebe que é possível errar sem medo, cair e ser levantado, chorar e ser acolhido, e que, apesar dos ventos contrários, existe sempre um lugar de volta, um lugar seguro onde o amor nunca falta.
A maternidade, quando vivida com entrega e poesia, molda o caráter, forma o espírito e dá raízes e asas ao mesmo tempo. E a mãe de meu filho materna com a leveza de quem compreende a grandeza da missão, e com a firmeza de quem sabe que amar é também ensinar a voar. Sua força não se impõe; ela se revela no silêncio das madrugadas, na ternura dos gestos repetidos, no cuidado incansável que ninguém vê, mas que a alma da criança sente e grava para sempre.
Um dia, Eben estará em uma roda de amigos, relembrando a infância. Talvez não se lembre do macaquinho marrom com uma banana nas mãos que seu irmão Luiz Henrique lhe deu, nem das roupas ou dos lugares. Mas ele vai lembrar, mesmo sem saber explicar, que era profundamente amado. E vai saber, com uma certeza que vem do coração, que foi nos braços da mãe que ele aprendeu a ser forte, a ser sensível, a ser inteiro.
Neste primeiro aniversário, celebro a vida do meu menino e também da mulher que o embala com a precisão de quem compreende que o amor de mãe é mais do que um sentimento. É um alicerce.
Se posso deixar um desejo registrado neste dia, é que Eben — “di Joana” e “di Kerry” — cresça com o mesmo brilho nos olhos que vejo quando ele olha para sua mãe. Que leve consigo, por toda a vida, a memória invisível, mas indestrutível, do amor que o moldou desde o berço. Que carregue na alma o mapa emocional que Eliene vem escrevendo com cada gesto de cuidado.
E que, mesmo quando os ventos forem fortes e o mar se mostrar feroz, ele se lembre de quem o ensinou a velejar com coragem, ternura e fé. Porque, no fim, é esse amor silencioso e poderoso que faz de uma mãe um farol eterno na travessia da vida de um filho.
