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“Não se pode querer saborear o mel ignorando os riscos da ferroada”, dizia minha mãe, Maria Pinheiro

Quantas vezes, ao longo da caminhada, encontrei pessoas encantadas com a ideia do sucesso, do amor, do prazer imediato... mas esquecidas de que tudo tem um preço.

“Não se pode querer saborear o mel ignorando os riscos da ferroada”, dizia minha mãe, Maria Pinheiro
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*Crônica de Edelvânio Pinheiro

Minha mãe, Maria Pinheiro, foi o que muitos chamam de força dobrada: mãe e pai em um só corpo, em uma só alma, em um só coração. Sem letras nos papéis, mas com uma sabedoria que nenhum diploma ensina, ela educou seus nove filhos com o que a vida lhe ensinou – e, por isso mesmo, suas palavras soavam como filosofia que brota da terra, da enxada, da panela no fogo, da vida sem atalho.

Entre suas muitas lições, uma nunca me saiu da cabeça: “Não se pode querer saborear o mel ignorando os riscos da ferroada.” Era uma frase simples, mas com peso de sermão. Na época, ainda adolescente, confesso que não compreendia tudo. Eu só imaginava a abelha zangada, com seu mel escondido em uma garrafa de vidro. Mas a vida se encarregou de me ensinar o restante.

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Quantas vezes, ao longo da caminhada, encontrei pessoas encantadas com a ideia do sucesso, do amor, do prazer imediato... mas esquecidas de que tudo tem um preço, uma consequência, um risco. Queriam a doçura da vitória, mas sem enfrentar o esforço, a disciplina, a dor que por vezes acompanha o caminho. Queriam a colheita sem plantar, a glória sem luta, a recompensa sem merecimento. Queriam o mel, mas não admitiam a possibilidade da ferroada.

E, assim, muitos se perdem. Fascinados pelo brilho, esquecem que o ouro verdadeiro vem com suor, com escolhas difíceis, com renúncias. E quando a ferroada vem — porque sempre vem, mais cedo ou mais tarde — sentem-se traídos, quando, na verdade, ignoraram o aviso que a própria vida dá.

Maria Pinheiro, com sua fala mansa e os olhos de quem viu o mundo do lado mais difícil, já sabia disso. Seu ensinamento não era um alerta contra os desejos, mas um convite à maturidade. Porque saborear o mel é bom, é desejável, é humano. Mas é preciso coragem para enfrentar o que protege o mel. É preciso respeitar as abelhas, entender o processo, reconhecer os perigos e, ainda assim, seguir em frente, com humildade, com preparo e com verdade.

Hoje, quando vejo alguém reclamar da vida por não ter alcançado o que tanto queria, ou quando me pego sonhando alto demais sem pôr os pés no chão, escuto, no fundo da alma, a voz firme da minha mãe: “Não se pode querer saborear o mel ignorando os riscos da ferroada.”

E aí entendo que o mel só é doce porque custou caro, porque houve ferroadas no caminho e porque, mesmo com medo, alguém teve coragem de ir até a colmeia.

*Edelvânio Pinheiro é jornalista e escritor.

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