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Entre fuzis, coturnos e fardas, com a ajuda da Polícia Militar, a vida venceu

O recém-nascido voltou a respirar. E tudo o que importava naquele instante era isso.

Entre fuzis, coturnos e fardas, com a ajuda da Polícia Militar, a vida venceu
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Crônica de Edelvânio Pinheiro*

“Esse tipo de ocorrência mostra que a Polícia Militar está preparada para atuar em diversas situações, inclusive nas mais sensíveis, onde cada segundo faz diferença.”

A frase do major Barbosa, comandante da 87ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), diz tudo sobre essa história. Além de uma declaração institucional é um retrato fiel do que aconteceu numa tarde comum de domingo, que se transformou em milagre no bairro Tancredo Neves, na cidade de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia.

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Havia sirenes, giroflex, coturnos, fardas, armas longas pendendo dos ombros. Havia fuzis, coletes balísticos, a indumentária típica de quem enfrenta o perigo diuturnamente nas ruas. Mas, naquele dia, a guerra não era contra o crime. A batalha era silenciosa, frágil e urgente, afinal, um recém-nascido lutava para respirar.

Quando a guarnição da 87ª CIPM cruzou a porta daquela casa, não encontrou suspeitos, nem ocorrências de rotina. Encontrou o desespero estampado no rosto de uma mãe e um bebê com as vias aéreas obstruídas, o sopro da vida escapando em segundos preciosos. Ali, o tempo deixou de ser relógio e passou a ser fôlego.

Os mesmos braços treinados para o confronto foram, naquele instante, braços de acolhimento. As mãos que empunham armas tornaram-se mãos de cuidado. Os dedos que, em outras ocasiões, puxam gatilhos, agora mediam forças, contavam segundos e lutavam, delicadamente, para devolver o ar a um peito que só queria respirar. Com técnica, sangue-frio e humanidade, os policiais iniciaram as manobras de desobstrução em lactentes. Cada movimento era preciso. Cada segundo, decisivo. Até que, enfim, veio o choro, o som mais bonito que se pode ouvir quando a vida insiste em ficar.

O recém-nascido voltou a respirar. E tudo o que importava naquele instante era isso.

Acompanhada até o Hospital Sagrada Família, a criança seguiu nos braços da esperança, entregue à equipe médica com sinais vitais estáveis. Mas o que ficou para trás naquela casa foi a certeza de que a Polícia Militar também é feita de gestos que salvam, de silêncios que protegem, de presenças que mudam destinos.

Como jornalista, sempre tive orgulho da missão de contar histórias. Como policial militar, sempre tive orgulho dos meus irmãos de farda, treinados para servir e proteger. Mas naquela tarde do dia 28 de dezembro de 2025, quando três policiais vestidos para a guerra seguraram nos braços a vida inteira de um recém-nascido, senti o orgulho das duas profissões se unir na alegria de ver a vida vencer mais uma vez.

 

*Edelvânio Pinheiro é escritor, jornalista e policial militar.

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