Crônica de *Edelvânio Pinheiro
Em tempos tão apressados, em que a pressa do mundo parece atropelar até o tempo da cura, ainda existem encontros que aliviam a dor do corpo e da alma. Foi o que vivi na noite desta quinta-feira (10), quando precisei buscar socorro médico na UPA de Teixeira de Freitas, que, inclusive, está em reforma.
Cheguei lá com uma dor de cabeça tão forte que parecia querer me arrancar os pensamentos. Achei que fosse mais uma noite de espera no SUS, onde os corredores misturam angústia, esperança e fé. Mas foi tudo rápido e muito tranquilo. Ao meu lado, minha filha, Thathira Mickaelle, aquela presença que já é remédio por si só. Mas foi ali, naquele mínimo espaço e tempo em que a medicina se debruça sobre o sofrimento alheio, que Deus resolveu se fazer ainda mais presente, por meio de um instrumento humano.
O nome dele é Dr. Marcelo Caires. Um rosto até então desconhecido para mim, mas que carrega raízes que também fincam na minha terra natal, Itanhém. Durante o breve momento da anamnese, que é aquele interrogatório clínico que busca compreender o que dói, o doutor encontrou espaço para outro tipo de escuta. E, entre os sintomas e sinais, falou da presença do Espírito Santo em nossas vidas, do poder absoluto de Deus sobre todos nós, aquilo que os estetoscópios não conseguem detectar.
É curioso como, em meio à rigidez dos protocolos médicos, há ainda profissionais que lembram que o ser humano é feito de corpo, mente e fé. E Dr. Marcelo, com serenidade e respeito, tocou em algo que a medicina não prescreve, mas que cura, que é a certeza de que há um Deus que nos conduz, mesmo nas madrugadas silenciosas da dor.
Depois, recebi duas injeções daquelas que aliviam fisicamente, mas saí de lá com muito mais do que o efeito daquela medicação. Saí confortado na carne e no espírito. E agradecido ao médico, a enfermeira que faz a triagem, que foi muito atenciosa e educada, e ao rapaz da recepção. E, claro, a Deus que, por meio do Dr. Marcelo, planejou aquele encontro, que a minha alma reconhece como bênção.
*Edelvânio Pinheiro é escritor, autor de sete livros de crônicas, livro-reportagem e infantojuvenil. É também militar, radialista, bacharel em Jornalismo pela Católica (UCA), licenciado em Letras Vernáculas pela UNEB e pós-graduado em Ciências Políticas pela Faculdade Serra Geral.