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“Água Preta”, de Almir Zarfeg, chega à 5ª edição muito melhor do que poderíamos imaginar

Três décadas depois, o livro se tornou uma referência na região

“Água Preta”, de Almir Zarfeg, chega à 5ª edição muito melhor do que poderíamos imaginar
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A pergunta é simples e direta: pode o autor mexer na sua obra após a publicação dela? Uma vez publicado, o livro deve ser mantido inalterado, intocado, imexível?

A pergunta – aparentemente simples – divide opiniões. Somos favoráveis a que o autor, sempre que quiser, mexa na sua obra. Se a intenção é melhorá-la, que mexa à vontade. Que mexa, refaça e busque a excelência desejada.

Para Manoel de Barros, o segredo do estilo é fazer e refazer o texto. Por sua vez, Drummond defende que nunca teremos a edição convincente.

Mas o trabalho e a inspiração sempre vão fazer a diferença. Até porque a equação já foi resolvida: 10% inspiração e 90% transpiração. De novo, as opiniões se dividem...

“Água Preta” – livro de estreia de Almir Zarfeg na poesia – chega à 5ª edição revista e ampliada. E, aqui para nós, chega bem vistoso, lindo de se ver/ler, vistoso para admirar/apreciar, enfim, a obra alcançou um nível de maturidade artística que precisa ser celebrada. Mas nem sempre foi assim.

Aquela 1ª edição (Asbrapa, 1991) guarda pouca semelhança com esta 5ª edição (Lura Editorial, 2021). Com exceção do título e de alguns poemas (minoria), a obra atual é completamente outra. O livro mudou para melhor. Logo, mexer, mudar, substituir ou simplesmente descartar textos foi a opção acertada para que o “Água Preta” atual ficasse melhor do que o original.

Três décadas depois, o livro se tornou uma referência na região e, por que não, digno de figurar ao lado de obras relevantes da poesia baiana e brasileira. E tudo isso se deu graças a duas mudanças principais: textual e temática.

Textualmente, os poemas foram sendo melhorados com o passar dos anos. Eles ganharam mais maturidade poética, transitando da denotação para a conotação, do prosaico para o poético. A temática também – que era difusa – acabou se voltando para as coisas água-pretenses: a cidade natal, o rio da sua infância, as autoridades públicas, os bovinos falantes, a pedra oca e filosofal, o lirismo comedido, documental versus mitológico, etc.

Enfim, ao se debruçar sobre sua obra primeira, que não é prima, Almir Zarfeg conseguiu atingir seu objetivo maior – aproximar a criação da realidade que a inspirou desde o primeiro momento. Ou seja, a cidade de Itanhém, que um dia se chamou Água Preta – e dos itanheenses, que foram denominados água-pretenses.

Portanto, foi refazendo e reeditando os textos, com empenho e arte, que Zarfeg conseguiu nos entregar esta 5ª edição primorosa ou próxima disso. Revista e ampliada. Pronta e acabada. Ou não, vá saber. Que cada leitor experimente e tire suas próprias conclusões.

Reformulada, a pergunta insiste: terá Zarfeg conseguido chegar à edição dos sonhos? Talvez, quem sabe, por que não? Mas teremos que aguardar a 6ª edição – prevista para 2026 – para comparar e só, então, saciar nossa curiosidade.

Veja aqui seleção de poemas água-pretenses feita pela Germina, Revista de Literatura & Arte.

 

FONTE/CRÉDITOS: Edelvânio Pinheiro
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