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Sexta-feira, 24 de Julho 2026
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A história dos dois anos de Eben pode ser contada nas palavras sal, açúcar e telas

No segundo aniversário de Eben, a celebração vai muito além da passagem do tempo. É a gratidão por uma infância construída com amor, paciência, fé e escolhas conscientes, cercada por uma família que decidiu respeitar cada etapa do seu desenvolvimento

A história dos dois anos de Eben pode ser contada nas palavras sal, açúcar e telas
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Há aniversários que comemoram apenas a passagem do tempo. Outros celebram conquistas. E existem aqueles que nos obrigam a agradecer.

Hoje, 23 de julho de 2026, quinta-feira, Eben completa dois anos.

Parece pouco para quem olha um calendário. Mas, para quem acompanhou cada amanhecer dessa caminhada, é uma eternidade de descobertas.

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Nestes primeiros vinte e quatro meses, eu e mãe dele, a poetisa Eliene Lima, vencemos batalhas que muita gente sequer imaginava existir. Enquanto o mundo oferecia atalhos, escolhemos paciência. Enquanto tantos tinham pressa, decidimos respeitar o tempo.

Esperamos um ano inteiro para que o sal fizesse parte de sua alimentação. Esperamos dois anos para que o açúcar continuasse sendo apenas uma palavra, nunca um ingrediente. E, talvez a decisão que mais desperte espanto atualmente, preservamos sua infância das telas. Até hoje, televisão e celular nunca foram brinquedos, entretinimentos. Para Eben, um telefone continua sendo apenas um telefone; apenas um aparelho usado para conversar com alguém.

Não houve desenhos para entretê-lo. Não houve vídeos para silenciá-lo. Não houve telas para ocupar o espaço que pertenceu aos mais de 50 livros de sua biblioteca, às conversas, às brincadeiras, à curiosidade e, acima de tudo isso, ao carinho e ao cuidado.

Talvez por isso seus olhos tenham aprendido a procurar respostas onde muitos já não procuram.

Enquanto especialistas descrevem determinadas habilidades como esperadas para crianças de três anos, Eben já percorria esse caminho muito antes. Ainda tão pequeno, aprendeu todas as cores, reconheceu todo o alfabeto, identificou figuras geométricas que muitos adultos sequer lembram da escola e, mais recentemente, começou a brincar de formar palavras com pequenas letras espalhadas sobre o seu tapete aberto na sala.

Mas confesso que nada disso me impressiona mais do que outra qualidade.

Sua alegria. Sua capacidade de sorrir. Seu jeito de abraçar. Sua facilidade em olhar nos olhos das pessoas. Sua vontade de conversar com o mundo, mesmo quando as palavras ainda estão aprendendo a nascer.

Talvez o maior presente de Deus não seja um filho inteligente. Talvez seja um filho feliz. Porque inteligência pode abrir portas. Mas um coração bom abre vidas.

Nada disso, porém, aconteceu por acaso. Por trás de cada descoberta existe uma família inteira escolhendo caminhar na mesma direção.

Nossa gratidão sobe primeiro aos céus. Porque há presentes que nenhum esforço humano consegue explicar. Deus, em Sua infinita bondade, apesar da meia-idade, confiou-nos um menino extraordinário, e todos os dias nos lembra da enorme responsabilidade de educá-lo.

Agradecemos também à professora Maria Batista, que, com conhecimento, sensibilidade e dedicação, tem nos orientado sobre como estimular esse desenvolvimento sem jamais roubar de Eben a infância, aquilo que em toda criança precisa ser preservado.

Nossa gratidão alcança ainda os padrinhos, Dra. Kerry Anne e Waguinho, que cercam nosso pequeno com carinho, incentivo e amor verdadeiro, tornando-se referências de afeto em sua caminhada.

À irmã Thathira Mickaelle, que faz muito mais do que cumprir o papel de irmã. Em muitos momentos, é uma segunda mãe, sempre presente, paciente, protetora e apaixonada pelo irmão menor. De igual forma, Tomás Mitterrand, um irmão que, aos 13 anos, consegue se aproximar ao lado infantil de Eben.

À sua mãe, Eliene Lima, talvez a maior responsável por cada pequena conquista diária. Durante vinte e quatro horas por dia, ela transforma amor em cuidado, cuidado em educação e educação em oportunidades. Há uma quantidade imensa de renúncias invisíveis por trás de cada avanço de Eben, e quase todas carregam o nome de mãe.

Nossa gratidão também à avó Joana, cujo colo continua sendo um dos lugares mais seguros do mundo, e às primas Jeovanna e Mahanna, que fazem da convivência familiar um espaço permanente de carinho, brincadeiras e aprendizado.

A lista é muito maior, mas dá pra citar ainda os demais irmãos e familiares dele e os amiguinhos que ele têm no loteamento onde moramos: Gabriel, Aurora, Alda Cecília, Rayssa, Ária, Alicia, Jasmine, Ana, Otto...

Hoje, além dos dois anos de vida, comemoramos milhares de pequenas escolhas feitas diariamente. Escolhas que exigiram paciência quando era mais fácil ceder. Coragem quando parecia exagero. Persistência quando muitos diziam que não fazia diferença.

O futuro dirá até onde Eben chegará. Talvez ele seja um cientista. Talvez um professor. Talvez um médico. Talvez um músico. Talvez apenas um homem simples. E, sinceramente, isso já não importa tanto. Porque o maior sonho de um pai e de uma mãe dedicados nunca deveria ser criar um gênio. O maior sonho é criar um homem de caráter e, sobretudo, temente ao Criador.

Se Deus permitir que inteligência e caráter caminhem juntos, então eu e Eliene Lima teremos recebido um dos maiores presentes que alguém pode experimentar nesta vida.

Que Deus continue conduzindo os passos do meu filho com a mesma ternura com que conduziu seus primeiros dois anos. E que, quando ele, em um futuro bem próximo, ler estas palavras, descubra que antes mesmo de aprender a escrever seu próprio nome, já existia alguém, de joelhos, agradecendo a Deus por ter escrito o nome Eben Howard di Joana-Kerry na história da nossa família.

Eben Howard
Eben Howard

Fonte/Créditos: Crônica de Edelvânio Pinheiro

Créditos (Imagem de capa): Eben durante aniversário de sua avó Joana, em junho desse ano.

Água Preta News

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