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Sexta-feira, 24 de Julho 2026
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Entenda por que Eben rejeitou o chocolate da Cacau Show

No aniversário de dois anos, o primeiro chocolate da vida não agradou ao pequeno Eben. Já o Snoopy presenteado pela irmã tornou-se o verdadeiro protagonista da comemoração.

Entenda por que Eben rejeitou o chocolate da Cacau Show
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Durante dois anos, fizemos escolhas que muita gente considerou exageradas. Primeiro veio a espera pelo sal. Depois, a decisão de manter o açúcar longe da alimentação de Eben. Enquanto a maioria das crianças conhece os doces muito cedo, preferimos que ele descobrisse primeiro o sabor das frutas, dos alimentos naturais e da própria infância. Nunca foi uma proibição; foi apenas uma escolha consciente de esperar o tempo certo.

Havia, porém, alguém que aguardava esse momento com uma ansiedade especial: sua irmã, Thathira Mickaelle. Desde muito antes do aniversário de dois anos, ela dizia, entre risos, que faria questão de dar ao irmão o primeiro doce da vida. Brincava que lhe compraria até aquela enorme chupeta de chocolate da Chiquinha, do seriado Chaves. Era uma promessa feita com o carinho que só uma irmã mais velha consegue demonstrar.

No dia do aniversário, mesmo estando longe em tratamento, ela deu a ele um Snoopy da Cacau Show acompanhado de barras de chocolate. Era exatamente o presente que ela imaginava havia tanto tempo. Todos esperavam pela reação de Eben. Afinal, depois de dois anos sem açúcar, finalmente chegava o momento de descobrir como ele receberia aquele sabor que encanta praticamente todas as crianças.

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A surpresa foi imediata. Bastou colocar um pequeno pedaço de chocolate na boca para que Eben fizesse uma expressão de estranhamento e o devolvesse quase no mesmo instante. Não houve insistência, nem careta exagerada. Apenas a reação natural de quem experimentava um sabor completamente desconhecido e que, definitivamente, não lhe agradou. Curiosamente, ele nem sabia que aquilo se chamava chocolate. Para ele, era apenas um "doce".

Pensei que talvez o problema fosse apenas o chocolate. Como Eben adora morangos, resolvi fazer uma segunda experiência. Comprei um iogurte com calda de morango imaginando que a fruta tornaria a novidade mais agradável. Mas o resultado foi exatamente o mesmo. Uma pequena colher, uma breve experimentada e uma nova rejeição. Não quis mais.

Foi então que a cena mais divertida do dia aconteceu. Meu outro filho, Tomás, que está passando alguns dias comigo, pegou o reatente do chocolate rejeitado, começou a comê-lo na frente de Eben e, entre uma mordida e outra, dizia em tom de brincadeira: "Olha, Eben, é assim que se come chocolate!". Depois repetiu a cena com o iogurte. Todos rimos muito, enquanto Eben apenas observava aquela demonstração sem entender por que aquilo fazia tanto sucesso.

Aquela reação, que para nós foi motivo de surpresa, tem uma explicação. O paladar também é educado. Crianças que crescem sem contato com alimentos ricos em açúcar aprendem a reconhecer como agradáveis os sabores naturais das frutas, dos legumes e das refeições preparadas sem excesso de doces. Quando experimentam açúcar pela primeira vez, não raro estranham a intensidade daquele sabor. O organismo simplesmente não foi acostumado a ele.

Isso não significa que Eben jamais comerá chocolate ou outros doces. Muito provavelmente, um dia eles farão parte de sua alimentação. Mas foi bonito perceber que, aos dois anos, seu paladar ainda não havia sido conquistado pelo açúcar. Seu prazer continuava sendo um morango maduro, uma banana, uma manga ou qualquer outra fruta que sempre fizeram parte do seu cotidiano.

Naquele instante, compreendi que as maiores heranças que podemos deixar para um filho nem sempre são bens materiais. Muitas vezes, elas estão escondidas nas pequenas decisões tomadas todos os dias, quase sempre longe dos aplausos. Esperar o momento certo para oferecer determinados alimentos, preservar a infância das telas, brincar mais, conversar mais, permitir que a curiosidade floresça naturalmente... tudo isso exige paciência, renúncia e convicção.

Talvez, daqui a alguns anos, Eben nem se lembre do dia em que rejeitou seu primeiro chocolate. Mas eu jamais esquecerei. Não pelo chocolate em si, mas pelo significado daquele gesto. Afinal, ali havia a confirmação de que a infância ainda pode seguir o seu próprio ritmo, sem pressa de parecer adulta. E, curiosamente, quem acabou sendo recebido de braços abertos não foi o chocolate, mas o Snoopy.

Fonte/Créditos: Crônica de Edelvânio Pinheiro

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