O Colégio Polivalente de Itanhém lançou, no dia 8 de março, no Dia Internacional da Mulher, o Programa Dignidade Menstrual.
A dignidade menstrual é um direito de cada adolescente e jovem que menstrua. Infelizmente, a pobreza menstrual afeta quem vive em situação de vulnerabilidade e condições de pobreza, por vezes, sem acesso a insumos como, absorvente, água, serviços de saneamento básico, banheiro ou outros recursos para higiene e conhecimento mínimo do corpo. Em razão das dificuldades enfrentadas, muitas das pessoas que menstruam faltam às aulas durante o período do ciclo, em média 5 dias por mês, ou até mesmo abandonam a escola, afetando, assim, o processo educativo e de socialização dessas pessoas.
A diretora do colégio, professora Maria Denise Pires Lisboa, ressaltou sobre o impacto e importância do programa.
“A escola é um espaço ideal para falarmos sobre dignidade menstrual de forma acolhedora e para superar os tabus”, disse a diretora, enfatizando que, “para a conquista de uma educação integral tem-se que promover a adoção dos hábitos e cuidados pessoais, reflexões sobre a qualidade de vida, desenvolver a autoestima e autocuidado, oportunizar vivências de comportamentos saudáveis, fortalecer uma educação inclusiva e desenvolver a empatia e direitos humanos.”
Ela falou da experiência da implantação do programa.
“Já tivemos respostas positivas depois do diálogo e interação que tivemos com nossas estudantes: alunas nos procuraram para falar sobre os problemas de saúde que vêm enfrentando silenciosamente por falta de informação ou pela dificuldade de abordar sobre esse tema em casa e para ajudá-las, entramos em contato com profissionais da saúde para que fizessem o encaminhamento correto”, explicou. “Além disso, esse mês de reflexão e luta por direitos mais dignos para as mulheres, teremos uma roda de conversa, com o tema Saúde da Mulher, com a participação da coordenadora de Vigilância Epidemiológica do município, enfermeira Valéria Lisboa, coordenadora da Atenção Básica, enfermeira Rita Rizzo e a também enfermeira Dilara Almeida Mendes.

Segundo a ONU, estima-se que uma em cada dez meninas, no mundo, falte aulas quando estão menstruadas por não ter produtos de higiene específicos. Diante desse cenário, o governo da Bahia, por meio da secretaria da Educação e de Políticas para as Mulheres, apresenta o Projeto “Dignidade Menstrual” de forma a contemplar iniciativas para a redução da pobreza menstrual na Bahia, mediante resgate da dignidade humana para pessoas que menstruam, por meio da distribuição dos absorventes para pessoas em condição de pobreza/extrema pobreza, durante todo o ano, da realização de processos formativos com estudantes, professores e gestores e disponibilização de cartilhas educativas/informativas.
A escola é lugar de compartilhar conhecimento, de afeto, de cooperação e de empatia. Neste sentido, acredita-se que as discussões sobre esse tema e, principalmente, a quebra de tabus, que ainda estão presentes na sociedade em torno da menstruação - e a formação de uma nova cultura comportamental - possam ser estimulados nas unidades de ensino no que tange à saúde menstrual.
