Você, que há décadas nos acompanha no jornalismo, já parou para se perguntar até onde pode ir a falsidade de um político guiado exclusivamente por interesses pessoais? Não me refiro à dissimulação ocasional, mas de uma estrutura de ação que transforma a mentira em método e a conveniência em única verdade.
Quando alguém eleva o próprio projeto à condição de causa suprema, tudo ao redor se desumaniza, até pessoas, alianças e parcerias. Tudo vira ferramenta descartável, útil enquanto serve, indigna de memória quando atrapalha.
Há políticos capazes, por um objetivo individual, de abandonar antigos companheiros de jornada, negar a própria trajetória, virar as costas a quem lhes estendeu a mão. Não há, aí, espaço para gratidão, coerência ou lealdade. Há apenas um cálculo frio e extremamente "dinheirista".
E o mais grave. Esses atores não hesitam diante das consequências. Se necessário, pisam em amizades, dinamitam pontes, tentam apagar anos de construção coletiva; tudo para alimentar interesses fugazes e encher os próprios bolsos. A política, então, deixa de ser compromisso com o comum e se reduz a um palco de vaidades, um jogo de espelhos onde a aparência vale mais do que qualquer ação.
Talvez o mais triste seja perceber que, para certas pessoas, romper laços sinceros e importantes não significa absolutamente nada quando o ego e o dinheiro falam mais alto.
Esse tipo de gente já se acostumou demais com a ideia de que o passado pode ser apagado com um novo discurso bem ensaiado. Mas, na verdade, o passado nunca desaparece. Ele fica, como testemunha silenciosa, e pode cobrar um preço alto. Muito alto!
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro
Créditos (Imagem de capa): Conceito e direção: Edelvânio Pinheiro | Arte gerada com IA