No aniversário de dois anos de Eben, entre tantos presentes que chegaram para marcar aquele dia, a mãe deu a ele um que, à primeira vista, poderia parecer simples demais diante de tantos brinquedos e novidades que costumam chamar a atenção de uma criança. Era um pequeno potinho de orações. Dentro dele, havia vários pedacinhos de papel, cada um trazendo uma oração curta, cuidadosamente preparada para que ele pudesse, aos poucos, aprender a repetir algumas palavras dirigidas a Deus.
As primas Jeovanna e Mahanna também participaram da preparação. Foram elas que ajudaram com as impressões que deram forma aos pequenos papéis. Gosto de pensar nesse detalhe porque existe alguma coisa especial quando alguém dedica tempo para preparar algo que será entregue a uma criança. O cuidado e a intenção acabam fazendo parte do presente. E, naquele potinho, havia mais do que pequenos pedaços de papel. Havia uma tentativa carinhosa de apresentar a Eben uma prática que queremos que faça parte de sua vida.
A ideia é simples. A criança retira um papel assim que acorda e quando vai dormir e, junto com os pais, faz aquela oração. Não existe a preocupação de transformar o momento em uma aula ou exigir que ela compreenda tudo imediatamente. É apenas uma maneira leve de ensiná-la que também podemos conversar com Deus, agradecer, pedir proteção e colocar diante dele aquilo que faz parte da nossa vida. Para uma criança pequena, o potinho acaba se transformando quase em uma pequena surpresa diária. A cada vez que abre, há uma oração esperando para ser descoberta.
Com Eben, isso começou a entrar naturalmente na rotina. Ao acordar e antes de dormir, ele pega o potinho e escolhe uma das orações. Nós lemos para ele e ele repete. Algumas palavras já saem com facilidade; outras ainda encontram o caminho próprio da fala de uma criança de dois anos. Não há problema nisso. Ele está aprendendo, como aprendeu tantas outras coisas, primeiro ouvindo alguém fazer, depois tentando fazer também.
Talvez seja justamente assim que boa parte daquilo que levamos para a vida comece. Uma criança não precisa compreender imediatamente a dimensão de tudo o que os adultos fazem para começar a absorver seus significados. Ela observa. Repete. Imita. Incorpora pequenas ações à sua rotina. Foi assim com tantas coisas que vimos acontecer nesses dois primeiros anos de Eben, e agora também está sendo assim com a oração.
Existe, porém, um momento nesse pequeno ritual que sempre chama minha atenção. Depois de repetir a oração, Eben coloca as duas mãos no rosto, reproduzindo o gesto que vê em nós quando oramos, e diz “amém”. É uma cena muito simples, mas talvez seja justamente por isso que ela me toca tanto. Ele ainda está começando a descobrir o significado de tantas palavras, mas já reconhece que aquele momento termina daquela maneira. Vê os adultos fazendo, guarda o gesto e o reproduz com a naturalidade própria de quem está aprendendo o mundo por meio das pessoas que ama.
Quando penso nisso, lembro que a fé também pode ser ensinada assim, dentro da vida comum, sem grandes discursos. Uma oração ao acordar. Outra antes de dormir. Uma palavra de agradecimento. Um pedido de proteção. Um gesto repetido todos os dias até que deixe de ser apenas uma imitação e passe, algum dia, a ter significado próprio para quem o pratica.
Não sabemos quando Eben compreenderá plenamente aquilo que hoje repete. Talvez leve anos. Talvez algumas dessas orações desapareçam da memória, substituídas por outras que ele mesmo escolherá quando ele já não mais vai precisar que alguém leia o papel para poder fazer sua própria oração. E é justamente aí que está a beleza do começo. Não precisamos saber agora como será o resultado. Basta oferecer a ele uma referência, assim como fazemos com tantas outras coisas que desejamos que levem consigo pela vida.
O potinho também nos lembra de algo que considero importante na formação de uma criança: a gratidão precisa ser vivida antes mesmo de ser explicada. Eben ainda está descobrindo o mundo e tem muito a aprender sobre ele. Mas pode começar aprendendo que existem motivos para agradecer, pessoas por quem podemos pedir, coisas pelas quais podemos demonstrar gratidão e momentos em que precisamos simplesmente parar para reconhecer que não estamos sozinhos.
Talvez, no futuro, aquele pequeno potinho seja apenas uma lembrança guardada em algum canto da casa. Os papéis podem se perder, a tampa pode quebrar, os papéis das orações podem amarelar. Eben crescerá, ganhará novas experiências, fará suas próprias escolhas e construirá sua própria maneira de compreender a fé. Mas eu gostaria que alguma coisa daquele ritual permanecesse nele. Não necessariamente as palavras exatas das orações, mas o hábito de parar, agradecer e conversar com com Aquele que permitiu que ele estivesse aqui e fosse o nosso Eben.
Há uma coincidência bonita nisso tudo. Antes mesmo de Eben nascer, a oração já fazia parte da nossa história com ele. Sua mãe, ainda durante a gestação, já havia colocado diante de Deus o pedido de proteção por aquele filho que ainda carregava no ventre. Depois, a oração continuou de outras maneiras, misturada aos cuidados, às noites mal dormidas, à alimentação, ao colo e a todas aquelas pequenas responsabilidades que fazem parte da criação de uma criança. Agora, aos dois anos, é o próprio Eben que começa a participar desse gesto.
Ele ainda não faz uma oração sozinho. Ainda precisa que alguém retire o papel, leia as palavras e o ajude a repeti-las. Mas já sabe o que fazer quando termina. Coloca as mãos no rosto e diz “amém”.
E talvez seja justamente essa a imagem que eu gostaria de guardar deste momento da infância dele. Não apenas a de um menino aprendendo algumas palavras, mas a de uma criança começando a construir seus primeiros hábitos, cercada por pessoas que desejam que ele cresça sabendo muitas coisas sim, mas também reconhecendo o valor de agradecer, de pedir ajuda, de cuidar dos outros e de manter viva a sua relação com o Criador.
No fim, o potinho é pequeno. As orações também são curtas. Eben tem apenas dois anos. Mas algumas coisas importantes da vida começam exatamente assim, pequenas o suficiente para caber nas mãos de uma criança e grandes o bastante para acompanhá-la por toda a vida.
Fonte/Créditos: Crônica de Edelvânio Pinheiro