Há pessoas que passam pela vida ocupando um espaço. Outras deixam uma marca. E existem aquelas raras que conseguem transformar o peso dos dias em um sorriso. Jan Clésio Pires era uma dessas pessoas.
Deus concede dons diferentes a cada ser humano. Alguns recebem o talento para ensinar, outros para curar, construir ou liderar. A Jan Pires foi confiada uma missão nobre de fazer as pessoas sorrirem. E isso nunca foi pouco. Pelo contrário. Num mundo onde tantos carregam silenciosamente as próprias dores, provocar um riso sincero talvez seja uma das formas mais bonitas de amor ao próximo.
Quem conheceu Jan Clésio sabe que seu humor nunca foi vazio. Havia inteligência em cada palavra, sensibilidade em cada observação e um jeito único de enxergar a vida. Ele fazia rir sem diminuir ninguém. Fazia pensar enquanto divertia. Era leve, mas jamais superficial.
Sua paixão por Itanhém também ficou eternizada nas páginas que escreveu. Primeiro veio "Balaio de Gato". Depois, "O Balaio do Futuro: A fantástica história dos cem anos de emancipação política de Itanhém", obras que revelam o carinho de um filho por sua terra e o desejo de preservar sua história para as futuras gerações.
Mais recentemente, decidiu trilhar o caminho do jornalismo. Em 2023, criou o PodCafé e Pod Café News, levando ao público informações e entrevistas conduzidas com a mesma espontaneidade e o mesmo bom humor que sempre marcaram sua trajetória. Era como se dissesse que conversar também é uma forma de construir pontes entre as pessoas.
Um dia, ele me enviou uma mensagem perguntando, entre outras questões relacionadas ao jornalismo, como poderia reproduzir legalmente uma matéria publicada por outro site. Era o início da sua trajetória no jornalismo on-line. E, claro, recebeu todas as orientações necessárias para se tornar mais um jornalista que a terra de Água Preta revelou.
Jan partiu cedo demais. Aos 53 anos, deixa a esposa, os filhos Alice e Francisco, familiares, amigos e uma cidade inteira com a sensação de que ainda havia muitas histórias para contar e muitos sorrisos para distribuir.
Mas talvez Deus, que conhece o valor de cada coração, tenha reservado para ele um lugar onde a alegria não conhece o fim, onde o riso não é interrompido pela tristeza e onde as boas histórias continuam sendo contadas.
Aqui na nossa terrinha permanecerão a saudade, os livros, os vídeos, as entrevistas e as lembranças. Permanecerá, principalmente, a certeza de que algumas pessoas não medem sua importância pelo tempo que viveram, mas pela quantidade de alegria que semearam.
Que Deus receba Jan Pires com a mesma ternura com que ele acolhia as pessoas através do seu humor inteligente. E que, na eternidade, encontre a paz que todo coração bondoso merece.
Porque homens assim partem dos nossos olhos, mas dificilmente partem da nossa memória. E enquanto houver alguém lembrando de um sorriso provocado pelo humorista Jan Clésio Pires, uma parte dele continuará viva entre nós.
*Edelvânio Pinheiro e escritor e jornalista.