Moradores de Itanhém, que utilizam os serviços do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), voltaram a reclamar da falta de remédios para pessoas que sofrem com transtornos e outros quadros que requerem cuidado especial do poder público para uma melhor promoção da vida deles em sociedade.
Sem remédios, os usuários do serviço ficam à mercê da própria sorte, principalmente aqueles que não têm nenhuma condição de comprar os medicamentos. Consultas com psiquiatras também é uma verdadeira via crucis, em razão da demora.
Uma mulher de 31 anos, que faz uso de três antidepressivos, teve que voltar para casa na manhã desta terça-feira (3) apenas com um medicamento. Esse não foi o único mês que ela voltou do CAPS com os remédios incompletos.
Ela tem um filho de cinco anos, que é autista, imperativo, bipolar, ansioso e, segundo ela, ‘tem o juízo prejudicado’. Ele também é usuário do CAPS em Itanhém e, além de medicamentos, faz uso de fraldas, que vem da Secretaria da Assistência Social, da qual a mulher do prefeito Mildson Medeiros (PSD), Eliane Araújo, é a chefe.
“As fraldas do meu filho já têm de quatro a cinco meses que não pego, no recesso [da secretaria] eu tive que comprar porque não tinha a quantidade do meu filho para o mês todo. A reportagem teve acesso à caderneta de entrega de fraudas dessa criança, a última vez que a mulher recebeu fraldas para seu filho foi no dia 21 de julho. O retorno seria dia 19 de agosto, contudo, de lá pra cá, de acordo com a mãe, nenhuma fralda foi dada ao seu filho especial.
A mulher disse ter feito contato com o Ministério Público que, segundo ela, “deu um prazo de 10 dias para que a situação fosse regularizada".
Ela disse que esse mês o remédio do filho veio completo, mas não reclamou quanto a isso porque, segundo ela, o secretário da Saúde, Joabe Pires, compra na farmácia quando falta.
“Sobre ele [o secretário] não tenho nada a reclamar, ele sempre me ajuda”, agradeceu.
Um questionamento é apropriado e deve ser feito: o secretário compra remédios na farmácia para todas as crianças especiais de Itanhém, quando o CAPS não consegue fornecer? Uma saída às mães que também passam por este problema seria fazer contato com o secretário - por telefone ou pessoalmente - para comprar os medicamentos de seus filhos quando o CAPS não poder atendê-las.
Leia também:
Vídeos denunciam uso de máquina da Prefeitura de Itanhém trabalhando em área particular
Falta de médico em hospital revolta moradores de Itanhém; mulher chora com fortes dores