Crônica de Luiz Henrique Silva*
Querida irmã,
Hoje senti vontade de te contar uma lembrança que ainda me faz sorrir, revivendo momentos que marcaram nossa infância e que, de alguma forma, moldaram a nossa coragem. Um dia desses, quando a inocência ainda regia nossas ações, demos uma pausa nas brincadeiras de rua, lavamos nossos rostos e partimos para uma grande aventura, ocorrida entre 2005 e 2006, junto com pai, vovó Maria e vovô Dazin, rumo a cidade mineira de Santo Antônio do Jacinto.
Essa viagem fez de tudo para se tornar uma verdadeira odisseia. Começou com o carro quebrando, e nós tivemos que esperar ajuda passar em uma estrada de terra, numa época em que carroças ainda eram boa parte do trânsito. Após algumas horas, o problema foi resolvido, e retomamos a estrada. A janela do carro era como uma tela grande de cinema que mudava a exibição: ora grandes vales e montanhas surgiam, ora pequenos riachos e plantações de churrasco.
A trilha sonora ficou por conta de Zezé Di Camargo e Luciano e Zé Ramalho, os artistas “mais fracos” que pai ouvia. As músicas revezavam no plano de fundo com as histórias e brincadeiras que fazíamos com vovô Dazim no banco de trás. Foi nessa estrada que pai nos explicou o significado do nome do estado de Minas Gerais.
Lembro de cada detalhe daquela viagem. Da noite que passamos na casa de tio Moisés, da visita à casa de tio Nem Preto, de nós dois entregando exemplares do jornal IMPACTO e indo lanchar com os 10 reais que recebemos de “pagamento”. E, por se tratar de uma odisseia, teve até um feito heroico. Lembro que pedimos para pai repassar nosso “pagamento” para uma família necessitada, que morava em frente à casa de tio Moisés. Acabamos ficando com o dinheiro, já que pai optou por dar um cheque em nosso nome. E como verdadeiros heróis, retornamos de lá com nossos próprios espólios de guerra. Eu com um binóculo, e você com sua primeira calcinha de renda, presentes da nossa tia Leu.
Essa não foi nossa primeira história juntos. E sua nova luta não será a última. Tenho fé de que cantaremos sobre sua vitória nessa nova odisseia.
Podemos até estar com uma Maria a menos, nossa amada avó, mas temos Bento, Levi, Tito, Teodoro, Lis, Isis, Eben, Tomás, Sandra, Amy, Lohana, Magno, Preta, Joaquim, Zé Banana, tio Teó, Samuel, tia Rosa, Bibiça, tia Lú, Alessandra, Albert, Tauane, Luca, Daiane, Luísa, Sarah, Claudiane, Mairane e tantos outros personagens que estão prontos para fazer parte dessa próxima “longa-metragem” que Deus só permite a quem é especialmente seu e caminha sob sua graça, contribuindo com amor, coragem e presença para que essa nova odisseia se torne inesquecível.
Te amo, irmã.
*Luiz Henrique é graduado em Tecnologia em Petróleo e Gás e escreve crônicas. Ele é filho do jornalista Edelvânio Pinheiro.
Fonte/Créditos: Os irmão Luiz Henrique e Thathira Mickaelle, filhos do jornalista Edelvânio Pinheiro.
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