Depois da polêmica envolvendo a Escola Municipal Marechal Costa e Silva, que organizou uma rifa para comprar uma impressora, surge um novo episódio dessa triste realidade vivida pela educação em Itanhém. Agora é a Escola São Bernardo, — a maior do município, com mais de 650 alunos matriculados — que apela para a comunidade para tentar manter suas atividades pedagógicas em funcionamento.
A direção da escola organizou uma rifa de uma cesta básica, cujo sorteio está marcado para esta quarta-feira (16). Cada cupom custa R$ 3,00, com um desconto para quem adquirir dois, ao custo de R$ 5,00. O gesto, embora vise arrecadar fundos para suprir a carência de materiais essenciais, revela a precariedade da estrutura educacional do município, que tem recorrido a práticas improvisadas e, segundo a própria declaração do secretário de Educação, Sady Neto, à margem da legalidade, uma vez que se trata de
Procurado pela reportagem do Água Preta News, o diretor do São Bernardo, James Costa, foi questionado se os alunos estavam sendo obrigados a vender os cupons ou se a ação era voluntária. Ele negou qualquer imposição.
“Nenhum aluno é obrigado a vender, muitos até devolveram os bilhetes por não conseguir vender todos. Em hipótese alguma há esse constrangimento”, afirmou.
Segundo ele, a rifa foi organizada com o objetivo de renovar o acervo de obras literárias da escola.
“Temos um componente curricular, onde tais obras são utilizadas como material de estudo. Com a defasagem das obras e diante da necessidade, resolvemos fazer essa ação como historicamente as escolas sempre fizeram. Não vimos problema. Os pais sempre colaboraram voluntariamente”, concluiu.
Apesar da nova denúncia, o secretário municipal de Educação, Sady Neto, manteve-se em silêncio sobre o caso da rifa no São Bernardo. Na ocasião anterior, ao comentar sobre a ação da Escola Marechal Costa e Silva, ele se limitou a dizer que se solidarizava com a situação da escola, mesmo reconhecendo que a prática da rifa fere normas legais. A escola cancelou o sorteio após a repercussão negativa.
No entanto, ao invés de apresentar uma solução concreta para o problema da falta de recursos nas unidades escolares, Sady Neto não propôs nenhuma medida prática, adotando a velha prática do prefeito Bentivi (PSB), de colocar a culpa no prefeito anterior. A resposta cínica do secretário, foi duramente criticada pela comunidade nas redes socias e por este portal de notícias.
A reportagem também teve acesso ao relato de uma mãe de aluno do São Bernardo, que se recusou a permitir que seu filho saísse pelas ruas vendendo rifas.
“Não deixei meu filho ficar na rua oferecendo [rifas] aos outros”, desabafou a mãe, visivelmente indignada com a exposição a que os alunos estão sendo submetidos.
A sucessão de episódios reforça a percepção de que a educação pública de Itanhém enfrenta um colapso silencioso. Sem políticas eficazes de suporte às escolas, a responsabilidade de manter o funcionamento básico das unidades está sendo empurrada para as direções, professores, pais e até mesmo para os estudantes que, ao invés de estarem focados apenas no aprendizado, acabam sendo usados como instrumentos para cobrir falhas absurdas do governo de Bentivi.
Enquanto a gestão municipal não apresenta respostas efetivas para a crise, cresce o sentimento de abandono por parte da população, que assiste, perplexa, ao desmonte gradual do acesso a uma educação pública de qualidade, um direito que deveria ser assegurado com dignidade.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro