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Damião, um anjo sujo de lama, diria que “Jucuruçu vai voltar a sorrir”

O grito ecoou e foi como a chave certa para abrir o coração de todos os itanheenses.

Damião, um anjo sujo de lama, diria que “Jucuruçu vai voltar a sorrir”
Agência Brasil
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Um anjo sujo de lama, na manhã do dia 8 de dezembro, usou as redes sociais para falar com Itanhém e avisar que sozinho não daria conta de lidar com a força das águas do rio e da chuva que estavam invadindo Jucuruçu.

Enquanto as águas subiam rápido e assustadoramente Damião conseguiu vencer o desânimo e foi o primeiro a gritar nas redes sociais para pedir ajuda aos amigos. E amigos em Itanhém ele tem de sobra.

O grito ecoou e foi como a chave certa para abrir o coração de todos os itanheenses que, numa rapidez estonteante, levaram ao Ginásio de Esportes cestas-básicas, colchões, cobertores, roupas, água potável e um punhado de esperança impresso em cada quilo, em cada peça de roupa – ainda que usada – e em cada litro d’água.

O gesto nobre de solidariedade do povo água-pretense  é um símbolo de que as coisas de Deus se engrenam perfeitamente mesmo diante do caos e da agonia.

Os caminhões carregados agora precisavam seguir apesar do mau tempo, da lama e do perigo das estradas que, desconstruídas pela força da chuva, pareciam não mais existir.

Mas a corrente de amor ao próximo venceu os obstáculos, reconstruiu – ainda que de forma improvisada – as pontes e o caminho que impediam a mobilidade daquela gente incansável e ansiosa para chegar em Jucuruçu. Damião, insistentemente, dizia que o povo tinha pressa em razão da fome e da sede.

No meio das estradas vencidas pelas enxurradas estava o diretor de Obras da prefeitura, Ian Costa, com toda a sua equipe, cumprindo a missão determinada pelo prefeito Mildson Medeiros, de fazer com que os donativos chegassem logo àquela gente desabrigada.

Recordo-me que, quando os dois primeiros caminhões não puderam mais seguir por causa de uma ponte danificada, com a água do rio ainda invencível, moradores do pequeno lugarejo de Vila São José formaram uma corrente humana e os materiais foram passando de mão em mão até chegar do outro lado para serem transportados em outra carga.

No domingo, ainda com grandes transtornos, mais caminhões seguiram levando mais água e mantimentos e, depois disso, outras doações, inclusive de outros lugares, seguiram pelo mesmo caminho.

O prefeito Mildson, que foi um elo muito importante desta corrente de solidariedade, aparece em um vídeo ajudando no carregamento de um dos caminhões. Já visivelmente cansado, mas ainda de prontidão, em nenhum momento ele dificultou que a logística fosse feita. Esta foi, sem dúvida, uma ação importantíssima para que todas as doações chegassem ao seu destino final.

Finalmente a água baixou. Agora o sol ilumina Jucuruçu e aquece a alma de quem perdeu tudo. A enxurrada deixou um rastro de destruição, desespero e muita tristeza. Por lá, a rotina agora é a de reconstruir. O plano é reorganizar e reconquistar o que a enxurrada levou.

Fácil não é, mas a ideia é aceitar com resignação, seguir em frente com fé e não deixar a esperança morrer.

O incansável Damião, esse anjo enlamaçado, diria que “Jucuruçu vai voltar a sorrir”.

[Crônica do jornalista Edelvânio Pinheiro].

FONTE/CRÉDITOS: Agência Brasil - Washington
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