A condução da política educacional em Itanhém volta a ser alvo de críticas, tanto pela falta de cumprimento de direitos dos professores quanto pela forma de mobilização adotada pelo sindicato da categoria. O prefeito Milton Ferreira Guimarães, conhecido como Bentivi, é apontado como responsável por mais um episódio de desgaste com os profissionais da educação, situação que, segundo históricos recentes, tem se repetido ao longo de suas gestões.
Nas duas administrações anteriores, Bentivi acumulou pelo menos cinco greves de professores, evidenciando uma relação marcada por conflitos com a categoria. Agora, o atraso no pagamento do reajuste do piso salarial de 2026 reacende o cenário de insatisfação. O aumento, fixado em 5,4% e válido desde 29 de janeiro, ainda não foi implantado, contrariando a legislação federal e o próprio plano de carreira do magistério municipal.
Na manhã desta segunda-feira, às 9h43, o presidente da APLB Sindicato no núcleo de Itanhém, Marco Antônio Pires, divulgou um áudio nas redes sociais denunciando a situação. Na gravação, a APLB reforça que o reajuste é um direito garantido por lei e destaca que a valorização dos profissionais da educação é uma obrigação do poder público.
Apesar do tom crítico da mensagem, outro ponto que chamou atenção foi a ausência de divulgação do conteúdo em carros de som, estratégia tradicionalmente utilizada pela APLB em momentos de mobilização. Itanhém conta com duas emissoras de rádio, uma rádio poste e pelo menos três serviços de carro de som, o que ampliaria o alcance do comunicado à população. A Rádio Master FM e a rádio poste, por exemplo, nunca cobrou esse tipo de divulgação.
Diferentemente de ocasiões anteriores, quando áudios semelhantes eram amplamente veiculados pelas ruas da cidade, desta vez a mensagem ficou restrita às redes sociais. Procurado pela reportagem do Água Preta News, Marco Pires afirmou que não conseguiu contratar carro de som, mas que estava em busca do serviço.
No entanto, a versão é contestada. A reportagem entrou em contato com dois prestadores desse tipo de serviço no município, e ambos afirmaram que não haviam sido procurados por nenhum representante da APLB. Pelo menos até às 20h20,
O episódio levanta questionamentos não apenas sobre a postura da gestão municipal diante das obrigações legais com os professores, mas também sobre a efetividade das ações do sindicato na mobilização da categoria e na comunicação com a população.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro
Créditos (Imagem de capa): Foto: Arquivo