Quando a história do camarote da contenda já estava esquecida, vem o vereador Sasdelli Resende acendendo a fogueira novamente, dizendo nas redes sociais que, se ele fosse barrado no bendito camarote, faria abrir uma tal caixa-preta.
Como a sua fala tem um contexto sustentado na crítica de que a gestão municipal bancou festa para o sindicato dos ricos, entende-se que dentro dessa caixa existem informações essenciais para se entender o atual momento político do município de Itanhém.
Para quem não acompanhou essa lambança desde o início, é preciso explicar que, no local da festa, durante o 64º aniversário da cidade, que aconteceu de 12 a 14 de agosto, simultaneamente com a exposição agropecuária, foi criado um espaço com a mesma altura do palco do evento, com o objetivo de receber somente pessoas importantes e os puxa-sacos de carteirinha daqueles que acreditam fazer parte da nobreza itanheense. Lá de cima era possível ver o cantor Amado Batista no mesmo nível e observar a pobraiada lá em baixo.
Acontece que, para entrar nesse espaço nobre, era necessário carregar no braço uma pulseira que, pelo visto, não foi oferecida aos vereadores, pelo menos André, Dias e Sasdelli não receberam. Eles foram barrados no primeiro degrau da escada pelos seguranças.
Sasdelli vem, equivocadamente, insistindo na narrativa de que não foi barrado.
“Proíbe as pessoas de Itanhém a subir na merda, dessa porra, dessa merda desse camarote, barrou o vereador André e tentou me barrar também, não me barrou porque eu peitei”, disse o vereador Sasdelli. “Com [festa feita com] o dinheiro público quem são eles pra me barrar, rapaz!”, desafiou. “Se me barrar, eu faço abrir essa caixa preta aí”, ameaçou.
Diz-se equivocadamente, porque Sasdelli foi barrado sim, de entrar no camarote da discórdia. Tanto é que ele se viu obrigado a afastar o braço do segurança que o impedia de entrar, numa racionalidade de que ali nem ele nem os demais vereadores seriam bem-vindos.
O Água Preta News perguntou ao vereador, desde ontem, o que estaria dentro desta caixa-preta. Pelo visto ele não está disposto a retornar o contato do site.
Como se sabe, nesse contexto, caixa-preta é uma expressão usada em sentido metafórico para designar algo cuja lógica ou segredo está inacessível aos observadores comuns, pessoas como este jornalista e você, leitor. Por ser vereador, claro, Sasdelli não é um observador qualquer e certamente conhece, como ninguém, o conteúdo desse tipo de caixa.
Seguimos por aqui torcendo que o vereador Sasdelli entenda que o fato de ele ter sido impedido de entrar pelos seguranças significa que ele foi barrado de acessar o camarote da discórdia e que o fato dele ter entrado à força não convence nenhuma pessoa de média inteligência de que ele não tenha sido impedido de entrar naquele espaço vip. Sendo assim, se a condição para abrir a caixa-preta era ter sido barrado no baile, não haverá um momento mais justificável que este para fazer abrir a caixa-preta.
Se vale a sugestão, existem outras caixas-pretas na política itanheense recente para serem abertas também, inclusive de momentos de que o vereador Sasdelli fez parte, como a gestão da ex-prefeita Zulma Pinheiro e os irmãos dela, por exemplo. Comece abrindo as caixas-pretas na ordem cronológica e preferencialmente iniciando pela caixa-preta do carro da Câmara de Itanhém, que Sasdelli sabe muito bem o que está dentro dela. Mas sem balela, pois o importante foi que o bem foi restituído.