O vereador Marcos Belitardo, irmão do prefeito de Teixeira de Freitas, Marcelo Belitardo, na reunião da Câmara Municipal da última terça-feira (22), fez um discurso inflamado expondo um triste cenário que revela o descaso com a saúde pública na oitava maior cidade da Bahia em termos de população. Suas palavras, duras e sem rodeios, deixaram claro a sua insatisfação com o que ele chamou de clientelismo na marcação de exames, questionando a competência e a ética na gestão do irmão, um médico que deveria ser o guardião da saúde pública do município.
Inegavelmente, se o próprio vereador, que por dever de ofício possui - ou deveria possuir - acesso à gestão municipal, está revoltado com a situação, imagine o cidadão comum, simples mortal, que não tem plano de saúde e depende inteiramente do sistema de saúde pública. A realidade que o povo teixeirense enfrenta é assustadora, e as palavras de Marcos Belitardo são um grito de desespero que deve continuar ecoando por todos os cantos da cidade.
Um dos pontos mais fortes de sua denúncia é o número assustador de ofícios não respondidos pela Secretaria de Saúde: mais de 367 ofícios em 2022 e já ultrapassando 389 em 2023. Isso é um desrespeito inaceitável à população, que clama por atendimento médico, exames e consultas. Enquanto esses ofícios se acumulam em alguma gaveta, pessoas sofrem, e algumas delas, como o caso trágico de um paciente com câncer, pagam com a própria vida a ineficiência do sistema que, pasmem, tem como gestor um médico, que ao se profissionalizar fez opção por salvar vidas.
A história desse paciente mostrada pelo vereador Marcos Belitardo na Câmara de Vereadores de Teixeira de Freitas, que o leitor pode entender melhor lendo a matéria e o artigo no final desse texto, é um retrato cru da negligência que aflige a saúde pública da cidade. A demora na realização de um exame de ressonância magnética, essencial para o diagnóstico e tratamento adequado do câncer, pode ser a diferença entre a vida e a morte. O fato de o paciente ter que remarcar o exame, esperar meses e, ainda assim, perder a batalha para a doença é um triste testemunho da tragédia que se desenrola nos bastidores do sistema da saúde teixeirense.
Marcos Belitardo também apontou o dedo para uma prática sinistra que mina a confiança na saúde pública: o clientelismo. Em sua denúncia, ele afirmou que apenas aqueles que têm conexões privilegiadas, ou seja, em suas palavras "conchavozinho com A, B, C, D ou E, conseguem marcar exames”. Isso é uma afronta à justiça e à igualdade, transformando a saúde em um privilégio ao invés de um direito fundamental de todos os cidadãos.
Portanto, é hora da população caminhar pela estrada norteada pelo irmão do próprio prefeito e deixar de lado a complacência e a passividade diante dessa situação, que certamente deve envergonhar os bairristas, que verdadeiramente amam a cidade que leva o nome do grande líder visionário Mário Augusto Teixeira de Freitas, fundador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A saúde pública é um direito inalienável de todos os cidadãos, que merecem um sistema que funcione eficazmente, independente de conexões políticas ou influências indevidas. A responsabilidade recai sobre os ombros da administração municipal, incluindo o próprio prefeito Marcelo Belitardo, que deveria zelar pelo bem-estar de seus concidadãos, até mesmo que foi ele que decidiu ser médico e jurou salvar vidas.
O grito de Marcos Belitardo na Câmara Municipal deve inspirar a todos a agir. A população não pode mais aceitar um sistema que deixa seus amigos, familiares e vizinhos à mercê do vergonhoso e covarde clientelismo. É hora de uma mudança radical, onde a saúde seja priorizada acima de tudo, e não os interesses políticos e pessoais do prefeito e seus aliados políticos. Os cidadãos não devem descansar até que Teixeira de Freitas tenha um sistema de saúde público digno desse nome.
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Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro