Faleceu neste sábado (25), às 20h, no Hospital Municipal de Itanhém, Geraldina da Silva, de 67 anos, a mulher que, mesmo enfrentando o câncer e a falta de apoio do poder público, tornou-se símbolo de resistência e coragem. O velório acontece na Capela Nossa Senhora D’Ajuda, e o sepultamento está marcado para as 17h deste domingo (26).
Moradora da Rua D. Pedro II, Dona Geraldina ficou conhecida em Itanhém por sua luta incansável contra a doença e pela coragem de denunciar, nas redes sociais, o abandono que sofria da Secretaria Municipal de Assistência Social, comandada por Lidiane Guimarães, esposa do prefeito Bentivi (PSB).
Em setembro, um vídeo gravado por ela circulou amplamente na internet. Nele, Dona Geraldina, com voz fraca, relatava as dificuldades que enfrentava e o descaso da atual gestão municipal.
“Não vai me dar mais”, disse, no mês de setembro, referindo-se à cesta básica que deixou de receber do município. Revelava também que, mesmo necessitando do uso contínuo de fraldas geriátricas, recebia quantidade insuficiente. “A fralda dar dois pacotinhos que não dar pra passar nenhum mês”, lamentava no vídeo.
As denúncias causaram forte repercussão, principalmente porque a Prefeitura de Itanhém havia realizado uma licitação superior a R$ 1 milhão e 150 mil para a compra de cestas básicas. O caso levantou suspeitas de irregularidades e motivou cobranças de transparência por parte do vereador Gelson Picoli (Avante), que, inclusive, afirmou ao programa Tribuna do Povo, da Rádio Master FM, que pretende acionar o Ministério Público para ter acesso à lista de beneficiários.
Mesmo doente, com fortes dores e limitações físicas, Dona Geraldina nunca deixou de trabalhar. Fazia biscoitos para vender nas ruas, vendia faria, banana, abóbora, laranja, tangerina e, quando podia, comprava porcos para revender. Empurrava o carrinho de mão pela cidade, sustentando a si mesma com dignidade e força, enquanto o poder público, quando ela já muito fraca, precisou, se mantinha omisso diante de sua necessidade.
Itanhém perde uma guerreira, mas ganha um exemplo eterno de que a luta pela dignidade humana é a mais nobre de todas.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro