Aqueles que acompanham a quase três décadas o nosso trabalho no jornalismo itanheense sabem da sinceridade das palavras impressas em cada opinião que publicamos nos jornais ou nos sites de notícias que gerimos ou nos quais tivemos a oportunidade de trabalhar ou ser colaborador. Os leitores sabem também da deferência que sempre tivemos pelo prefeito Mildson Medeiros, ao ponto de buscarmos em nossos textos orientá-lo a seguir a melhor estrada para que ele tenha sucesso à frente do Executivo Municipal.
Antes mesmo de assumi os destinos do município e até antes de se eleger prefeito de Itanhém chamamos a atenção dele para os nobres ensinamentos do estrategista e filósofo chinês, o general Sun Tzu, ensinamentos que atravessaram séculos e que poderiam nortear Mildson Medeiros no sentido de fazê-lo encontrar o melhor caminho à frente da prefeitura e, no final, fazê-lo sair vitorioso, honrado e reconhecido pela maioria.
Sugestionamos por mais de uma vez a leitura do livro “A arte da guerra”, de Sun Tzu. Nesta obra o militar parte da premissa de que é melhor vencer a guerra antes mesmo de desembainhar a espada, pois a vitória conquistada penosa e custosamente sempre acompanha um gosto amargo de derrota, mesmo para os próprios vencedores. A obra nos ensina também a não confiar na possibilidade de que o inimigo não venha, por isso se deve estar sempre pronto para recebê-lo.
Apesar de escrito antes da vinda de Cristo, “A arte da guerra” inspira até hoje gestão e negócios e políticos em todo o mundo, ensinando como ganhar batalhas de maneira inteligente.
Mas Mildson Medeiros parece não ter dado ouvido à preocupação que temos demonstrado ter por ele nos nossos escritos. A maior prova disso é a atualíssima conjuntura que move as pedras do tabuleiro na política no município de Itanhém. Não é exagero o superlativo absoluto sintético porque quero mesmo fazer referência aos acontecimentos da última semana.
Na última quarta-feira, dia 21, o prefeito reuniu apoiadores no Parque de Exposição. Posso seguramente dizer que o local onde o parque realiza leilões - um grande espaço, por sinal - estava praticamente cheio. Lá, além do prefeito havia alguns secretários, o procurador do município e até um empresário aplaudindo ou discursando em defesa de Alex da Piatã e Paulo Magalhães, os candidatos a estadual e federal de Mildson Medeiros nessas eleições. A maior decepção nesse evento foi a ausência dos vereadores que, até antes de o caldeirão das eleições pegar fogo, religiosamente viviam rasgando seda para o prefeito nas reuniões. Claro, ultimamente pode-se dizer que há exceções, como Sasdelli Resende, por exemplo. Depois de entender que o coelho não sairia da cartola, faz tempo que ele parou de bajular Mildson Medeiros.
Mas Dias da Academia estava lá, “o único vereador de verdade”, como descreveu o secretário da Saúde, Joabe Pires, em seu discurso insultante. A Câmara de Itanhém é formada por 11 vereadores. Para o secretário, com exceção de Dias, claro, “os outros não mostraram pra que veio” (sic).
Mas o prefeito também fez um discurso provocador em relação à ausência dos vereadores neste ato político
“Meu sonho era ver nessa mesa aqui os 11 vereadores, que dizem ser representantes do povo”, disse Mildson, enaltecendo a presença de Dias.
As provocações não pararam por aí.
“Se eu fosse seguir o caminho que eles [os outros vereadores] seguiram eu estava com 400 mil no bolso e [dava] uma banana pra todo mundo”, acrescentou, sem fazer questão de dizer se havia alguma exceção entre os 10 que restaram depois de enaltecer a presença de Dias.
O prefeito ainda fez uma denúncia que pode ser considerada grave contra um dos vereadores que não foram aquela reunião.
“Hoje [quarta-feira, dia 21] a primeira reunião que eu tive um vereador teve a coragem de dizer que pra ele andar comigo, ele precisaria de 300 mil reais e eu disse a ele que 100 mil compro de remédio e ponho na farmácia [popular] e 200 mil compro de cestas-básicas e dou ao povo”, finalizou.
Depois das falas o público presente acompanhou o prefeito numa caminhada até a Praça Otávio Mangabeira, onde fica o Terminal Rodoviário. No trajeto, os apoiadores com bandeiras e carro de som gritavam os nomes de Alex da Piatã e Paulo Magalhães.
A essa altura o leitor mais apressado pode estar questionando o que tem a ver Sun Tzu com tudo isso. Ora, Mildson Medeiros, apesar de quase dois anos à frente da máquina pública nunca se impôs como deveria fazê-lo na condição de prefeito. Sua equipe é fraca e não entende nada ou quase nada de estratégia política. Mildson é avesso ao planejamento e ignora os princípios que um líder deve adotar diante de seus comandados. Em relação aos vereadores, como se observa, ele prefere se vitimizar do que fazer uso da força política que todo prefeito naturalmente tem para conseguir o apoio da maioria deles.
As eleições estão aí e não há mais tempo pra nada, nem pra Mildson ler o livro que tanto insistir que ele lesse antes de se sentar na cadeira de prefeito. Certamente ele não teve tempo. Então, selecionei alguns dos mais conhecidos ensinamentos do general, que são facilmente encontrados em qualquer pesquisa na rede mundial de computadores, os quais julgo ser bem apropriados para este momento e para os dois anos e três meses que restam da atual gestão:
“Aquele que se empenha a resolver as dificuldades resolve-as antes que elas surjam. Aquele que se ultrapassa a vencer os inimigos triunfa antes que as suas ameaças se concretizem.”
“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se conheces a ti mesmo, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Caso não conheça nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.”
“Não é preciso ter olhos abertos para ver o sol, nem é preciso ter ouvidos afiados para ouvir o trovão. Para ser vitorioso você precisa ver o que não está visível.”
“A habilidade de alcançar a vitória mudando e adaptando-se de acordo com o inimigo é chamada de genialidade.”
E lembre-se, Mildson Medeiros, dê a cada um dos seus subordinados a responsabilidade adequada. Esse é o método mais eficiente quando se tem homens sob as nossas ordens. Sun Tzu, nesta situação, nos manda “utilizar o avaro e o tolo, o sábio e o corajoso”, mas nunca o puxa-saco, ainda que ele seja vereador.
RELEMBRE:
Enquanto se decide quem será seu vice vai reler Maquiavel e Sun Tzu, Mildson Medeiros
Maquiavel, Neco Batista, Mildson Medeiros e o jornalismo de soluções
Mildson Medeiros parece ter aprendido a se movimentar no front do campo de batalha
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro