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Terça-feira, 13 de Janeiro 2026
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Itanhém guardará para sempre o tempero do leite e do bolo de Miro Curió

Miro Curió nunca vestiu touca de chef, mas virou farol gastronômico da terra de Água Preta.

Itanhém guardará para sempre o tempero do leite e do bolo de Miro Curió
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Naquela quinta-feira uma chuva forte caía sobre Itanhém. O ar, mais quieto e pesado, parecia já saber. E então veio a notícia de que Miro Curió havia partido às 10h58, depois de internado no Hospital Costa das Baleias, em Teixeira de Freitas. Aos 80 anos, Valdomiro Dias da Rocha, mineiro de Jequitinhonha por nascença e itanheense por escolha, deixava o chão que havia pisado com tanta fé desde a década de 1960.

Ele chegou quando o mundo ainda respirava devagar, trazendo na bagagem a coragem do retirante e nos olhos a teimosia de quem acredita em dias melhores. E encontrou. Em Itanhém, fincou raízes tão fundas que a cidade o rebatizou, trocando Valdomiro para Miro Curió.

Foi comerciante, dono de restaurante, homem de trabalho, mas ficou mesmo foi marcado pelo que fazia todas as manhãs: leite com canela, bolo e biscoito. Cada um com o mesmo tempero secreto que, se alguém perguntasse, ele dizia que era “coisa simples”. Simples nada. Tinha era alma, paciência ancestral e o carinho de quem sabe que comida boa é feita com amor.

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Miro Curió nunca vestiu touca de chef, mas virou farol gastronômico da terra de Água Preta. Seu nome virou ponto de referência afetiva. Quem partia levava na mala a saudade do leite e do bolo e, anos depois, ainda encomendava de longe, como quem busca um pedaço de Itanhém embalado para viagem. Seu local de trabalho era mais que um comércio; enquanto mexia um caldeirão, ele ouvia histórias, dava conselhos, filosofava sobre a vida com a calma de quem sabe que o tempo é ingrediente principal.

Hoje, Itanhém está em silêncio. Um silêncio que tem gosto de leite que não será mais preparado com canela naquele caldeirão. Miro se vai deixando quatro filhos, cinco netos e uma infinidade de histórias que os livros não registram, mas que seguem vivas na memória de todos nós.

A cidade, agora, parece um pouco mais vazia. Mas também, paradoxalmente, mais cheia porque carrega, escondido no ar, no afeto das conversas, no paladar das pessoas, o legado doce de um homem que transformou simples ingredientes em elo, em afeto, em identidade.

Homens como Miro Curió não morrem de verdade. Eles permanecem no aroma que insiste em ficar, no sabor que a memória teima em guardar e no jeito manso com que a cidade continua repetindo as histórias que ele deixou.

 

Fonte/Créditos: Edelvânio Pinheiro

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Edelvânio Pinheiro

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Edelvânio Pinheiro

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