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Terça-feira, 27 de Janeiro 2026
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Fé não morre e pai não desiste

A dor, essa professora dura, impaciente e, por vezes, impiedosa, sempre encontra um jeito de nos lembrar de que, aqui embaixo dos céus, somos frágeis.

Fé não morre e pai não desiste
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Crônica de Edelvânio Pinheiro*

Se eu pudesse abraçar um por um daqueles que compreenderam a minha dor e a dor da minha família inteira, eu faria isso sem pensar duas vezes. Abraçaria forte, com aquela sinceridade que só nasce quando a alma sangra e ainda assim busca, por gratidão, encontrar um lugar para agradecer. Porque quem estendeu a mão além da ajuda financeira, veio com algo infinitamente mais valioso, veio com orações, lágrimas silenciosas e palavras que só o amor é capaz de pronunciar. Palavras que não sabem de gramática como se aprende na escola, mas sabem de Deus. Palavras que não pedem licença para entrar, mas que chegam curando.

E se eu pudesse transferir para mim todo o sofrimento de minha filha, eu o faria com a alegria de quem recebe o presente mais belo do mundo. Tomaria para mim cada nó na garganta dela, cada medo escondido, cada dor que ela não sabe explicar. Seria feliz, muito feliz, se pudesse caminhar com o peso dela nas minhas próprias costas. Porque o amor de pai é isso, uma vontade desesperada de ser parede quando o filho vira vento, de ser escudo quando o mundo vira pedra. Todo pai ou mãe sabe exatamente o que minhas palavras sinceras significam nesta humilde crônica.

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Mas a vida, às vezes, é mais cruel do que a gente imagina. Há obstáculos tão dolorosos que derrubam até homens que, como eu, cresceram com a alma preparada para a guerra. Homens que aprenderam a suportar pancada, que já conversaram de perto com a fome, com o medo, com a injustiça, com a solidão, com a ansiedade crônica e, ainda assim, precisam ajoelhar quando a dor decide apertar. Porque existem momentos em que até o mais forte vira pó. E não há vergonha nenhuma em, humildemente, reconhecer isso.

A dor, essa professora dura, impaciente e, por vezes, impiedosa, sempre encontra um jeito de nos lembrar de que, aqui embaixo dos céus, somos frágeis. Fragilíssimos. Há quem diga que somos quase nada. E talvez sejamos mesmo. Mas é nesse quase nada que Deus gosta de soprar a Sua presença, para que a gente entenda que, mesmo fraco, não está sozinho.

E os obstáculos, esses espinhos que nunca chegam mansos, também têm um propósito. Eles nos empurram, durante a madrugada, para dentro de nós mesmos. Nos forçam a repensar atitudes, ações, comportamentos, escolhas e posicionamentos. Nos obrigam a medir o valor do que dizemos, do que escrevemos, do que sentimos e até do que deixamos para depois. A dor nos afina, nos realinha, nos desamarra das bobagens que antes pareciam importantes. Ela não pede licença quando precisa nos transformar.

Hoje, enquanto caminho por esse deserto que sequer me dá o direito de orientar meus pensamentos e sequer me deixa dormir em paz, percebo que cada oração recebida, cada palavra enviada, cada gesto de carinho é muito mais do que conforto. É sustento. É gente — até aqueles a quem um dia enfrentei com dureza — virando ponte quando o chão desaparece debaixo dos meus pés.

E eu sigo, mesmo ferido, machucado, quase vencido… mas sigo. Sigo tropeçando nos meus próprios medos, juntando os pedaços da coragem que às vezes se esconde, respirando fundo para não desmoronar onde ninguém vê. Sigo porque minha filha, Thathira Mickaelle, precisa muito de mim, e isso, por si só, já é razão suficiente para me manter de pé quando o maior dos meus desafios tenta me quebrar ao meio.

Sigo porque minha missão de pai, essa que Deus colocou nas minhas mãos sem manual de instrução, me chama todos os dias. Sigo porque minha fé, mesmo quando tremida, ainda me empurra. Ela me arrasta pelos cantos escuros, me segura pela camisa quando eu penso em desistir, e me lembra que existe um propósito maior até nos abismos que a mente humana não conseguiu compreender até hoje.

E sigo, principalmente, porque o amor, esse companheiro teimoso, insistente, que não aceita derrota de forma alguma, ainda acredita que nada termina na dor. O amor ensina que nenhuma madrugada é eterna, que nenhuma tempestade permanece para sempre, que nenhum deserto é capaz de sepultar para sempre a esperança. Ele me convence, todos os dias, de que depois da noite mais escura, Deus sempre dá um jeito de fazer o sol voltar. E quando o sol voltar, mesmo que ainda tímido, mesmo que ainda fraco, eu estarei aqui. De pé. Inteiro o suficiente para seguir mais um pouco, porque fé não morre e pai não desiste nunca.

 

*Edelvânio Pinheiro é escritor, jornalista e pai de Thathira Mickaelle.

 

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Edelvânio Pinheiro

Publicado por:

Edelvânio Pinheiro

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