Aos 70 anos, Dona Ângela da Guarda Neves de Oliveira diz, aos prantos, que não consegue mais suportar a dor que sente no estômago.
Moradora de Itanhém, ela afirma estar há cerca de cinco meses tentando realizar uma endoscopia solicitada por um médico da rede pública. Segundo ela, o exame foi pedido para investigar fortes dores abdominais que vêm se intensificando.
“Eu não estou conseguindo comer. Tudo que eu como me faz mal. A dor é muito forte”, relata, com a voz embargada.
Dona Ângela vive com o marido e depende exclusivamente da aposentadoria para manter a casa e comprar medicamentos. E, segundo ela, os remédios já consomem boa parte da renda do casal.
De acordo com a idosa, a autorização do exame demorou cerca de três meses. Quando finalmente foi chamada para realizar o procedimento, enfrentou outro obstáculo. Problemas cardíacos e crises de ansiedade impediram a realização da endoscopia naquele dia.
“Eu passei mal. Minha pressão subiu, meu coração acelerou. Fiquei muito nervosa. Esperei tanto tempo… e não consegui fazer”, contou.
O relato é acompanhado de choro. Um choro que revolta qualquer pessoa que escute. Não é apenas a dor no estômago; é o desgaste de quem sente que está esperando demais por algo que deveria ser prioridade.
Ela afirma que as dores continuam intensas e que a dificuldade para se alimentar tem agravado sua situação.
“Tem dia que eu não consigo comer nada. Eu sinto muita dor. Eu só queria fazer esse exame para saber o que eu tenho”, desabafa.
Na última sexta-feira (20), segundo Dona Ângela, funcionários da secretaria estiveram em sua casa e disseram que retornariam nesta segunda (23), mas não retornaram.
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Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro