Há quase três décadas, dedico minha vida à imprensa, atuando com responsabilidade e compromisso, especialmente na minha querida cidade de Água Preta. É impossível olhar para a política — essa ciência necessária e tão nobre em sua essência — e não sentir repulsa diante das práticas sórdidas de alguns líderes que a utilizam para perpetuar seu poder às custas do sofrimento alheio. São homens e mulheres — e, às vezes, seus familiares — que, em vez de se dedicarem ao bem coletivo, escravizam pessoas em situação de miséria, transformando a política em moeda de troca por favores
Max Weber, em sua análise sobre a ética da responsabilidade, nos alerta que o verdadeiro líder político deve ter como norte o equilíbrio entre ética e pragmatismo. Ele afirma que a política não deve ser um jogo de interesses pessoais, mas sim uma vocação, um chamado para servir. Apesar disso, o que vemos em nossa realidade são líderes que se distanciam dessa vocação e transformam a política em um teatro de interesses mesquinhos, desrespeitando completamente o princípio do bem público.
Quando escrevo para que uma mãe consiga o remédio que salvará seu filho, quando esbravejo nos microfones da rádio por médicos no hospital abandonado ou faço campanha para arrecadar fundos para alguém que o poder público esqueceu, vejo meu trabalho ser covardemente atacado. Os mais lunáticos, aqueles que têm o hábito de medir as pessoas pela régua de suas próprias intenções, dizem que, ao criticar políticos, estamos em busca de emprego ou vantagem. Esses são incapazes de perceber que nunca fui materialista. Tudo o que produzi na vida foi para me manter e proporcionar educação e o mínimo bem-estar aos meus filhos, pois nunca tive condições de pagar mensalidade ou comprar vaga em faculdade particular para nenhum deles. Um deles, inclusive, faz residência em São Paulo, após ter estudado em uma universidade federal e sido aprovado na residência em sexto lugar, em um processo seletivo muito difícil que oferecia apenas 10 vagas. Sou bem empregado, graças a Deus, e ainda presto serviços de assessoria, escrevo TCCs, monografias e outros trabalhos acadêmicos para estudantes de todo o Brasil e sou proprietário de uma pequena empresa que me garante um rendimento satisfatório. Mas sei que isso não é suficiente para convencer os idiotas; eles enxergam o mundo conforme suas conveniências.
Essas pessoas, insensíveis e desprovidas de empatia, são capazes de desqualificar, sem qualquer sentimento, o sofrimento de quem está na linha entre a vida e a morte. Tentam destruir o trabalho jornalístico que faço em defesa do povo e zombam da dor dos mais vulneráveis, como se o sofrimento humano fosse algo desprezível.
Eu pergunto: que tipo de ser humano é incapaz de sentir empatia por uma mãe que vê seu filho, com apenas três dias de vida, dependendo de uma bolsa de colostomia para sobreviver? Que tipo de homem ou mulher dorme tranquilo enquanto nega um simples gesto de apoio, um pix de R$ 1,00 sequer, para aliviar o sofrimento de uma família em desespero? Será que, ao olhar para o rosto de seus próprios filhos, eles são incapazes de compreender o abismo de dor que outros pais enfrentam?
Platão, em sua obra A República, nos ensina que a política deveria ser governada pelos mais sábios e justos, aqueles que buscam o bem comum acima de qualquer interesse pessoal. O contraste entre esse ideal e a realidade que enfrentamos diariamente em Itanhém e na grande maioroa das cidades brasileiras é gritante. O poder, em mãos erradas, é um veneno que corrói tanto o caráter de quem o detém quanto a sociedade que o tolera.
Essas atitudes são mais que repugnantes. Elas são um retrato de uma sociedade doente, em que a falta de sensibilidade de alguns que detêm poder é um tapa na cara da humanidade. Diante dessa realidade, eu me pergunto: será que somente quando sentirem na pele as mesmas dores de Ilma Gomes, lutando contra um câncer no estômago, ou dessa mãe que vê o filho que ainda precisa passar por uma cirurgia tão delicada, é que entenderão o que é sofrimento?
Que Deus nos livre de desejar o mal para alguém, mas que o Criador também permita que esses líderes corrompidos experimentem um mínimo do que é viver sem privilégios, sem o conforto que o poder lhes oferece. Alguns já passaram por essa situação e até se enveredaram por caminhos como o alcoolismo e mesmo assim está difícil compreender o peso de uma lágrima, o vazio de uma mesa sem comida, o desespero de uma mãe diante da incerteza do amanhã para a tão esperada cirurgia do seu filho.
Como jornalista e alguém que estudou um pouco de política, inclusive tendo me especializando na área com uma pós-graduação em Ciências Políticas, compreendo que a essência dessa ciência é promover o bem-estar coletivo. Nicolau Maquiavel, em O Príncipe, nos ensina que o poder exige estratégia, mas também nos lembra que o verdadeiro governante deve buscar a estabilidade e o progresso de sua comunidade. Entretanto, lamentavelmente, o que encontramos são líderes que deturpam esse ensinamento, governando com desumanidade e oportunismo.
Mas, nunca fui covarde, nunca me senti intimidado por qualquer imbecil nesse mundo. Meu compromisso é com a responsabilidade e com a técnica jornalística que aprendi a fazer ao longo dos anos com os poucos e bons colegas da área, com as páginas dos livros e com os bancos da universidade e da faculdade onde conheci as letras vernáculas e a comunicação social. Se tentam me intimidar, saibam que eu carrego o legado dos livros que devorei e ainda devoro, das lições aprendidas com professores dedicados e das experiências que a vida me deu. Estudei para não ser omisso. Aprendi para lutar e não ser intimidado por nenhum idita de carteirinha que só vive nas esquinas da vida imaginando formas de diminuir o valor de quem constrói com esforço e honestidade. Minha trajetória é pautada pela dedicação, e meu compromisso é com a comunicação, acima de qualquer intimidação ou ataque. Não me curvo diante da ignorância nem do oportunismo de quem vive de aparências ou de interesses mesquinhos. Estudei para ser resiliente e sigo com a consciência tranquila de que luto por aquilo que acredito.
Aos que acham que podem calar a voz desse jornalista, que também é radialista, humilde escriba ou apagar as histórias de sofrimento das pessoas que dou vida em palavras em minhas matérias, vídeos, artigos e podcasts, saibam que eles passarão e eu vou continuar seguindo, porque minha missão não é agradar aos poderosos, muito menos políticos que se juntam com seus amigos para roubarem o diheiro do povo. Enquanto houver um microfone, um papel, um site, uma rádio ou uma rede social ao meu alcance, estarei lá, lutando pela terra de Água Preta e por aqules que precisam de ajuda.
É bom esclarecer, de uma vez por todas, que nunca tive o menor interesse em ser candidato a nada. Não almejo cargos, títulos ou aplausos. Vocês já perceberam como a maioria dos políticos muda de postura tão rapidamente depois que se elege? Promessas viram palavras vazias, e compromissos com o povo são deixados de lado para atender interesses próprios. Essa hipocrisia nunca fez parte do meu caráter, nunca esteve no meu berço – um berço tão bem moldado por Maria Pinheiro, minha mãe, que me ensinou a dignidade, a honestidade e a coragem de lutar pelo que é certo.
E aos líderes políticos, e àqueles que sustentam seus nomes, que hoje agem com tanta desumanidade, fica o aviso: a história não perdoa. Mais cedo ou mais tarde, vocês serão lembrados. Não pelas obras que fizeram, mas pelas vidas que abandonaram, pelos sonhos que esmagaram e pela esperança que roubaram de quem mais precisava. O tempo é implacável, e eu estarei aqui, se Deus permitir, registrando cada linha de suas omissões, cada ato de negligência, cada sinal de incúria de vocês. Estarei aqui para lembrar ao mundo que suas escolhas, marcadas pela insensibilidade e pela ganância, deixaram um rastro de sofrimento na vida de alguém.
Vocês, que hoje ocupam cadeiras de poder, deveriam entender que essas posições não são privilégios, mas responsabilidades. No entanto, ao escolherem virar as costas para os que clamam por socorro, se condenam ao julgamento inevitável da história e da memória popular.
Ainda que tentem silenciar ou intimidar vozes como a de um jornalista, saibam que a verdade possui uma força muito maior do que qualquer mandato ou influência. Ela resiste ao tempo, atravessa barreiras e, indubitavelmente, encontra espaço para ecoar. Verdades sufocadas um dia emergem, e, quando isso acontece, elas expõem a crueldade e a hipocrisia de quem acreditava ser intocável.
Enquanto houver injustiça, haverá quem denuncie. Enquanto houver desumanidade, haverá quem lute. Haverá sempre alguém disposto a dar voz aos silenciados, a registrar as histórias que muitos tentam apagar, a transformar dor e abandono em luta por direitos. E haverá sempre um jornalista, jornalista de verdade — não pseudos ou oportunistas, mas aqueles movidos pelo compromisso ético e pela responsabilidade social — cumprindo seu papel.
Cada ato desumano de vocês será lembrado, documentado e eternizado. Não se enganem: a história não poupa os que se alimentam da dor alheia. Vocês podem até tentar manipular circunstâncias ou esconder rastros, mas o trabalho incansável dos que vivem pela verdade garante que suas omissões e negligências jamais sejam esquecidas. Porque o jornalismo que fazemos não é um favor, é uma missão. E essa missão é maior do que qualquer um de vocês.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro