Já estava certo que nesta segunda-feira (21), não haveria reunião da Câmara Municipal de Itanhém devido à ausência de quórum. De acordo com o presidente Renato Correia (Avante), vários vereadores informaram, por volta de meio-dia, que não poderiam comparecer à sessão por motivos diversos. O próprio Renato estava em Eunápolis e não chegaria a tempo para a reunião.
Mesmo assim, ainda de acordo com Renato Correia, vereadores que fazem oposição ao prefeito Mildson Medeiros (Avante) tentaram realizar a reunião para beneficiar o prefeito eleito nas últimas eleições municipais, Milton Ferreira Guimarães, o Bentivi (PSB), que aguarda julgamento de um processo na Justiça Eleitoral. A decisão da Justiça pode torná-lo inelegível em razão da desaprovação de suas contas durante sua gestão anterior como prefeito do município.
Renato afirmou que a pauta oficial da reunião, que não aconteceu por falta de quórum, incluía apenas um requerimento referente à concessão de um quiosque no Mercado Municipal. No entanto, ele foi informado por colegas, que vereadores que fazem oposição ao atual prefeito e que são apoiadores de Bentivi planejavam, de maneira sorrateira, realizar a reunião e introduzir verbalmente um requerimento para revisar as contas rejeitadas de Bentivi, visando protegê-lo do processo de inelegibilidade.
Em declaração à reportagem, Renato criticou a estratégia.
"Eles armaram, a pauta não pode ser alterada, só tinha um requerimento de um quiosque pra Pakera no Mercado Municipal, só tinha isso. Eles iam tentar empurrar um requerimento verbal na hora da sessão, mas alguns colegas me ligaram e falaram que o requerimento verbal era para revisar as contas de Bentivi. Eles iriam aproveitar minha falta e empurrar isso no plenário, o que mostra a falta de caráter e má fé desse gestor [Bentivi]. Mas Deus é tão justo que não teve quórum. Dois ou três vereadores permaneceram na fé e não vieram para nenhuma proposta deles”, disse Renato.
A sessão que poderia ter sido usada como uma tentativa de salvar Bentivi de uma possível inelegibilidade fracassou, segundo Renato Correia, devido à ausência dos vereadores necessários para a realização da reunião. A expectativa agora é pelo julgamento do processo eleitoral que determinará o futuro político de Bentivi. Se for considerado inelegível, a cidade de Itanhém poderá enfrentar uma nova eleição.