*Por Edelvânio Pinheiro
Quantas vidas precisavam ser perdidas para que, finalmente, o extremo sul da Bahia ganhasse um grande hospital?
Mães choraram à beira de leitos vazios, sem o tratamento adequado para seus filhos. Pais carregaram nos braços crianças urgentemente doentes, sem saber a quem recorrer. Idosos definharam em filas intermináveis, esperando cirurgias que nunca vinham. Vidas inteiras se apagaram no silêncio do abandono, enquanto o poder público parecia ignorar a dor do povo dessa região. O Hospital Estadual Costa das Baleias (HECB), construído na cidade de Teixeira de Freitas, é a resposta tardia, mas vital, a décadas de descaso.
E depois de tanto sofrimento e de tantas perdas irreparáveis, esta unidade de saúde não pode ser vista apenas como um prédio de concreto, médicos, enfermeiros e equipamentos. Vejo o HECB como um monumento à vida, à dignidade e, acima de tudo, à justiça social que tantas vezes nos foi negada.
Antes do Hospital Estadual Costa das Baleias, nossas estradas eram trilhas de luto. Famílias inteiras percorriam quilômetros em vão, só para descobrir que não havia vagas e nem médicos especializados. Nem esperança. Pessoas morriam em ambulâncias, em corredores de hospitais, em casa, sem sequer ter a chance de lutar. Era um ciclo cruel de abandono, como se o extremo sul não fizesse parte da Bahia. Mas tudo isso começou a mudar quando Rui Costa e Jerônimo Rodrigues — fiquem tranquilos leitores, eu não sou petista, muito menos faço parte dessa vergonhosa direita extremista — decidiram que nossa região não podia mais ser invisível.
E agora, podemos afirmar com orgulho que o HECB é fruto de uma política pública que olhou para os mais pobres, para os que não têm a quem recorrer. É o resultado de um governo que entendeu que saúde não é privilégio, mas direito básico.
Quantas vidas já foram transformadas desde então? Corações que voltaram a bater, famílias poupadas do luto porque, finalmente, encontraram uma unidade de saúde preparada para acolhê-las. O caso do morador da zona rural de Itanhém, que substituiu seu marcapasso a tempo, é apenas um entre muitos. Seu nome não engrossou a lista daqueles que partiram precocemente — lista que, até pouco tempo atrás, era tristemente longa sem o Costa das Baleias.
Preciso dizer que é revoltante lembrar que houve quem questionasse essa obra, quem a politizasse, quem se negasse até a estar presente na sua inauguração. Certamente, esses críticos — clientes dos melhores planos de saúde do país — nunca vão precisar dos centros cirúrgicos do HECB. Enquanto o povo sofria, alguns preferiram virar as costas, colocando interesses políticos mesquinhos acima da vida humana.
Vivemos em um país republicano, e por isso, uns dizem que a construção desse hospital não passa do cumprimento de uma obrigação do Estado. Mas, permita a esse humilde escriba chamar o HECB de compromisso, sensibilidade e compaixão política.
O hospital é, indubitavelmente, uma baliza de uma nova era em que a saúde pública no extremo sul da Bahia deixou de ser mera promessa. E, mais do que isso, é um lembrete de que nenhuma vida deve ser negligenciada, nenhuma dor deve ser ignorada, e nenhum cidadão deve ser deixado para trás.
Que o HECB continue sendo farol de esperança, iluminando o caminho para um futuro onde a saúde seja, de fato, um direito de todos, e não um privilégio de poucos. A luta por mais dignidade não para aqui — mas hoje, pelo menos, podemos respirar aliviados sabendo que, finalmente, o extremo sul da Bahia tem um lugar onde a vida deixou de ser descaso e privilégio de poucos.
O HECB é uma baliza de uma nova era, em que a saúde pública no extremo sul da Bahia deixou de ser mera promessa. E, mais do que isso, é um lembrete poderoso de que nenhuma vida pode ser negligenciada, nenhuma dor deve ser ignorada, e nenhum cidadão pode ser abandonado à própria sorte.
Que esse grande hospital continue sendo farol de esperança, iluminando o caminho para um futuro em que a saúde seja, de fato, direito universal e não privilégio de alguns.
*Edelvânio Pinheiro é bacharel em Jornalismo pela Católica (UCA) e licenciado em Letras Vernáculas pela UNEB. É também pós-graduado em Ciências Políticas, radialista e autor de sete obras, incluindo crônicas, livro-reportagem e literatura infantojuvenil.