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Terça-feira, 14 de Abril 2026
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Sobre a rifa, a escola recuou com ética; já o secretário da Educação vergonhosamente respondeu às críticas com cinismo

A cobrança feita pelas redes sociais não é ódio, secretário, é cidadania.

Sobre a rifa, a escola recuou com ética; já o secretário da Educação vergonhosamente respondeu às críticas com cinismo
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É preciso, antes de tudo, aplaudir a Escola Marechal Costa e Silva por reconhecer seu erro, pedir desculpas aos pais ou responsáveis e cancelar a rifa que colocava alunos da rede pública de Itanhém para vender bilhetes em busca de uma impressora, item básico para qualquer unidade escolar. O gesto da direção, além de ético, foi pedagógico. Foi um ensinamento de humildade, de responsabilidade e de respeito à missão de uma unidade de ensino, que é formar cidadãos e não expô-los ao vexame de tapar buracos que o poder público insiste em abrir e ignorar.

Enquanto a escola agiu com grandeza e decência, o que vimos do alto escalão da gestão do prefeito Bentivi (PSB) foi um espetáculo vergonhoso de desresponsabilização, intimidação e cinismo. O secretário de Educação, Sady Neto, ao invés de reconhecer que a secretaria falhou ao não garantir o mínimo para a escola funcionar, preferiu transformar a justa indignação da população em inimigo político. Em vez de explicar por que uma escola pública em 2025 não tem impressora, atacou os críticos e os rotulou como autores de uma “politização doentia” e fomentadores de um “clima de ódio”.

O que o secretário talvez não entenda — ou finge não entender — é que a população tem, sim, o direito (e o dever também) de se revoltar quando alunos são expostos a situações constrangedoras por pura omissão de quem foi eleito para cuidar da educação e não faz. A cobrança feita pelas redes sociais não é ódio, secretário, é cidadania. Isso me faz crer que o senhor, de fato, pouco ou nada entende de educação. A cobrança é participação política legítima. É, aliás, o último grito de uma comunidade que está cansada de ver suas escolas minguando, seus alunos sendo explorados simbolicamente e seus gestores culpando o passado enquanto falham, discaradamente, no presente.

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É ainda mais grave que o próprio secretário admita que rifas são contravenção penal, mas, em vez de condenar o erro, venha a público louvar a atitude da escola em “buscar outros meios de investimento”. É uma contradição ética educacional grave reconhecer uma contravenção penal e, ao mesmo tempo, aplaudi-la como esforço válido. Além disso, trata-se de um governo que afirma estar reestruturando a educação pública, mas que, mesmo após quase quatro meses de gestão, ainda não garantiu sequer o básico para o funcionamento das escolas da rede municipal.

O prefeito Bentivi, por sua vez, permanece no silêncio que já virou sua marca registrada diante das denúncias mais sérias. Prometeu priorizar a educação. Mas o que temos visto é uma cidade onde o básico está faltando e onde estudantes são chamados a mendigar nas ruas para comprar impressora. Governar é, acima de tudo, priorizar, já disse isso em artigo anterior. E se uma escola precisa recorrer a rifas para tentar funcionar, está claro que a prioridade passou longe do gabinete do prefeito Bentivi.

Não é aceitável, secretário, que se ataque a população por cobrar. E não é aceitável que, diante de tamanha exposição e fracasso administrativo, o máximo que o secretário ofereça seja um esclarecimento carregado de ressentimento e nenhuma autocrítica. Muito vergonhoso para um secretário de uma pasta tão importante.

A atitude da escola deve ser vista como exemplo de como se corrige um erro com coragem e compromisso. Já a atitude da Secretaria de Educação e da Prefeitura de Itanhém é um triste retrato da arrogância de quem se recusa a enxergar que, com a necessidade de fazer rifa para comprar impressora a educação do município está sendo negligenciada pelo poder público. E quem denuncia isso, secretário, não é inimigo. É cidadão.

Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro

Créditos (Imagem de capa): Foto: Montagem da imagem do secretário Sady Neto com o boleto da rifa.

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