Por Edelvânio Pinheiro*
Antes de tudo, deixo claro ao navegantes de que este artigo não se trata de opção política, se Trump está certo ou errado com seu tarifaço, que tem o objetivo claro de enfraquecer a economia brasileira, nem se Lula é ladrão ou se Bolsonaro é mesmo o líder do plano golpista. O que nos interessa aqui é a falta de coerência daqueles que tentam impor ao país um lema de conveniência com o lema vpolítico “Deus, pátria, família”.
Imaginemos a cena recentemente encaminhada em relatório pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal, na qual Jair Bolsonaro, ao comentar a troca de críticas entre Eduardo e o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas, durante uma entrevista, afirma que o filho Eduardo Bolsonaro é “imaturo”. O filho, por sua vez, tomado pela fúria, responde com palavrões pesados, daqueles que fariam corar até o mais liberal dos leitores deste artigo, dizendo "VTNC [vai tomar no cu] SEU INGRATO DO CARALHO!"
O detalhe é que ambos, pai e filho, posam diante do povo brasileiro como defensores intransigentes da moral cristã, da família tradicional e dos valores nacionais. A contradição é gritante. O slogan ideológico que prega família é sustentado por quem transforma o próprio lar em palco de desrespeito. Invoca-se o nome de Deus, mas o mandamento bíblico de “honrar pai e mãe” é pisoteado sem pudor. Proclama-se amor à pátria, mas o exemplo público que se oferece é de ódio, intolerância e agressão.
A política brasileira padece de um mal crônico. Líderes encenam discursos inflamados em palanques, mas desmoronam diante das exigências mínimas da vida real. “Deus, pátria, família” se tornou apenas bordão de campanha, um mantra vazio para manipular militantes. Na prática, o que se vê é uma realidade suja, marcada por brigas, palavrões e incoerência, onde o discurso moralista funciona como máscara para esconder a hipocrisia.
Esse problema não se limita à família Bolsonaro. Ele se estende a todo discurso político que se vende como moralizador e, na realidade, não consegue oferecer sequer o exemplo mínimo de decência. O povo, cansado de promessas vazias, já não suporta mais frases de efeito. Precisa de líderes que falem menos e ajam mais, que traduzam palavras em atitudes concretas.
O lema que aqui abordamos poderia ser respeitável se viesse acompanhado de prática, conduta e exemplo. Mas quando é usado por aqueles que contradizem diariamente o que pregam, transforma-se apenas em fachada enganosa, pois nada é mais nocivo à política do que a hipocrisia travestida de virtude. Como já advertia Sócrates, quando a sociedade se deixa levar pelas aparências, o resultado inevitável é que os piores acabam governando.

*Edelvânio Pinheiro é bacharel em Jornalismo pela Católica (UCA) e foi correspondente do jornal A Tarde, de Salvador, na extinta sucursal do extremo sul. É autor de sete livros, incluindo um infantojuvenil publicado pela editora Flamingo, graduado em Letras Vernáculas pela UNEB e pós-graduado em Ciências Políticas.
Fonte/Créditos: Jair Bolsonaro
Créditos (Imagem de capa): Tomado pela fúria, Eduardo responde o pai, Jair Bolsonaro, com palavrões pesados: "VTNC SEU INGRATO DO CARALHO!"