Em um cenário de carência de recursos, descaso na saúde e outras áreas essenciais do município, o prefeito Mildson Medeiros deu um duro golpe na população ao sancionar, em tempo recorde, o aumento dos salários do prefeito, vice-prefeito, secretários municipais e vereadores de Itanhém. A medida aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal, demonstra uma total desconexão com a realidade do município, que conta apenas com 17.813 habitantes.
A sanção, realizada com uma rapidez estonteante, em menos de 24 horas após a aprovação das leis pela Câmara Municipal, deixa clara a falta de sensibilidade do prefeito e dos vereadores em relação às necessidades da população. A partir de 1º de janeiro de 2025, os salários dessas autoridades estarão substancialmente mais recheados, enquanto a comunidade enfrenta desafios e privações diárias.
O prefeito Mildson Medeiros, que alega falta de recursos para justificar a falta de pagamento de funcionários e prestadores de serviços, verá seu próprio salário, caso seja reeleito, subir de R$ 15 mil para R$ 20 mil, um aumento de 33%. Enquanto isso, os servidores municipais sofrem com atrasos salariais e condições precárias de trabalho.
O próximo vice-prefeito da cidade passará de R$ 7 mil e 500 para R$ 10 mil, um aumento também de 33%. Os secretários municipais, que deveriam ser os pilares da gestão pública, mas, na prática, não são, também terão seus salários ampliados, indo de R$ 5 mil para R$ 7 mil, um aumento de 40%. Já os vereadores, que realizam apenas uma reunião por semana, terão seus vencimentos ampliados de R$ 5 mil para R$ 9 mil, um aumento de 80%. O presidente da Câmara, por sua vez, receberá R$ 1 mil a mais que os demais vereadores, totalizando um salário de R$ 10 mil mensais. Como frequentemente a Câmara Municipal renova somente algo em torno de 30 a 40% dos seus membros, pode se dizer que os atuais vereadores aprovaram uma lei em benefício próprio.
Enquanto as autoridades se beneficiam desses aumentos salariais, a população enfrenta a falta de medicamentos, atrasos no atendimento médico, ineficiência no transporte escolar, falta de emprego e lazer e esporte e uma infraestrutura ainda precária nos bairros e nas estradas do município.
Vale ressaltar que todos esses servidores já desfrutam de décimo terceiro e férias graças a uma lei sancionada pela então prefeita Zulma Pinheiro, o que torna esse aumento ainda mais questionável. Enquanto os servidores públicos locais continuam lutando por seus direitos básicos, o prefeito Mildson Medeiros e os vereadores parecem alheios à situação real do município.
Os cidadãos de Itanhém merecem uma gestão transparente, responsável e comprometida com o bem-estar da comunidade. Este aumento de salários, em meio a dificuldades financeiras e problemas críticos, demonstra um profundo desrespeito pelos eleitores e um claro desvio de prioridades.
É urgente que a população reaja a essa afronta e exija que seus representantes apresentem projetos de leis em favor do povo e não em favor de seus interesses pessoais. Afinal, o verdadeiro progresso de um município não se mede pelos salários de suas autoridades, mas sim pela qualidade de vida de seus cidadãos.