O prefeito de Itanhém, Milton Ferreira Guimarães, o Bentivi (PSB), volta a ser alvo de questionamentos éticos e legais ao manter contratações e empenhos financeiros em favor de familiares, mesmo após ter sido formalmente denunciado e se tornar réu em um processo judicial que investiga fraudes em licitações e prejuízos aos cofres públicos. As novas informações revelam que a gestão de Bentivi, que ocupa o cargo pela terceira vez, segue direcionando recursos públicos a empresas pertencentes à sua irmã, Isabel Ferreira Guimarães Barreto, e a seu sobrinho, Wesley Ferreira Guimarães, conhecido como Skalé, o que reforça preocupações sobre a moralidade e a legalidade de sua administração.
Desde que assumiu novamente a prefeitura de Itanhém em 2025, Bentivi empenhou pela Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esportes, valores altos em nome da empresa de sua irmã Isabel. Os valores incluem R$ 99.575,00 para a “aquisição de uniformes escolares no modelo militar destinados aos alunos do Colégio São Bernardo”; R$ 29.500,00 para a “compra de blusas unissex para funcionários da secretaria” e R$ 200.000,00 para “uniformes escolares da rede de ensino municipal”. As expressões entre aspas também correspondem às descrições presentes nos próprios empenhos.
O total reservado para a empresa da irmã, envolvida em um processo de fraudes licitatórias investigado pelo Ministério Público, ultrapassa R$ 329.000,00.
Além disso, Bentivi direcionou recursos públicos ao sobrinho, em contratos relacionados a sonorização. Entre os valores empenhados estão R$ 10.000,00 para “locação de sonorização mecânica em atividades culturais, esportivas e administrativas”; R$ 20.000,00 para “sonorização de eventos esportivos e administrativos”; R$ 20.000,00 para “atividades culturais e eventos administrativos” e R$ 84.000,00 para “serviços de locução e som de propaganda volante com veículos adaptados”. As expressões entre aspas também correspondem às descrições presentes nos próprios empenhos.
O montante total reservado para Skalé, ex-candidato a vereador que prestou serviços à campanha de seu tio Bentivi, alcança R$ 174.000,00, levantando questionamentos sobre a possível priorização de interesses familiares na aplicação dos recursos públicos.
As novas práticas de Bentivi ganham destaque em meio a um processo judicial ainda em curso, no qual ele, sua irmã Isabel e a ex-tesoureira Nájlla de Cássia Correia Magalhães são réus por suspeitas de contratações ilegais e fraudes em licitações durante sua gestão de 2009 a 2012. As investigações apontam que Bentivi teria causado um prejuízo de quase R$ 1 milhão aos cofres públicos, ao contratar servidores sem concurso público, direcionar licitações e favorecer empresas de familiares e aliados políticos.
A audiência criminal para o caso está marcada para 26 de março de 2025. Apesar disso, o prefeito segue utilizando mecanismos de gestão para manter vínculos financeiros com parentes, afrontando os princípios constitucionais da impessoalidade, legalidade e moralidade administrativa.
Na época das primeiras denúncias, Bentivi e sua defesa argumentaram que as acusações careciam de provas e que as contratações e licitações seguiam a legislação municipal. Agora, a manutenção de empenhos em nome de Isabel e Skalé gera novas controvérsias e fortalece os argumentos de favorecimento familiar na gestão pública.
Os dados, disponíveis no portal de transparência www.municipioonline.com.br/ba/prefeitura/itanhem, foram analisados pelo site Água Preta News com a consultoria de técnicos em execução de despesas públicas. Especialistas reforçam que o termo "empenhado" significa que os valores já foram reservados no orçamento, ainda que não tenham sido pagos, indicando a intenção clara de beneficiar as empresas de seus familiares.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro