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Terça-feira, 16 de Dezembro 2025

POLÍTICA

Político das falácias, Bentivi acredita que o povo de Itanhém tem memória curta

Bentivi é conhecido por sua habilidade retórica, No entanto, por trás dessa eloquência, esconde-se uma estratégia pícara.

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Por Água Preta News
Político das falácias, Bentivi acredita que o povo de Itanhém tem memória curta
Demonstrativo do bloqueio do FPM depois que Bentivi, de forma irresponsável, entregou a prefeitura a Zulma Pinheiro.
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Por Edelvânio Pinheiro*

Estou revisando o que tenho lido de filosofia desde a minha adolescência e até comentei com minha filha, Thathira Mickaelle, que estou pensando em fazer bacharelado nessa nobre ciência. Sempre fui muito apegado à filosofia clássica, mas admito uma necessidade urgente de leitura da filosofia moderna e contemporânea. Conheço muitos de seus autores ao estudar outras ciências, como ciências políticas, por exemplo, mas não ao tratar diretamente de filosofia. No ano passado, comprei os três volumes da obra de Dario Antiseri e Giovanni Reali, um extenso material com mais de três mil páginas que venho desbravando desde abril. A cada nova leitura, percebo como certos conceitos filosóficos continuam atuais, especialmente quando aplicados à realidade política. Ao revisitar os estudos sobre os sofistas e sua habilidade em manipular discursos para persuadir e enganar, me deparei com uma associação inevitável: o prefeito Milton Ferreira Guimarães, o Bentivi (PSB). Em Itanhém, ele se encaixa perfeitamente nesse perfil. Seu talento para a oratória é inegável, mas, assim como os sofistas da antiguidade, ele se vale da retórica para distorcer os fatos e induzir a população ao erro. Não é apenas uma questão de discurso bonito, mas de estratégia ardilosa, construída sobre falácias, confiando que a memória coletiva seja curta o suficiente para esquecer suas contradições e omissões.

Bentivi é conhecido por sua habilidade retórica, sempre com palavras bonitas e discursos convincentes. No entanto, por trás dessa eloquência, esconde-se uma estratégia pícara, a construção de falácias para tentar iludir a população. Se há algo que marca sua trajetória política, é sua insistência em distorcer os fatos, omitindo responsabilidades e jogando a culpa em terceiros.

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No dia 7 de fevereiro, mais de um mês depois de assumir a prefeitura, ele decretou estado de emergência no município, alegando ter herdado dívidas da gestão anterior. Chegou a mencionar um montante de R$ 5 milhões em débitos deixados por Mildson Medeiros (Avante), mas, apesar de dispor de meios para divulgar essas informações à população — incluindo as redes sociais, onde tanto gosta de discursar —, não o fez. Nem mesmo na primeira reunião da Câmara de Vereadores, à qual compareceu, apresentou detalhes sobre as supostas dívidas. Bentivi parece acreditar que os itanheenses sofrem de amnésia coletiva e se esqueceram de como ele entregou o município à ex-prefeita e atual vereadora Zulma Pinheiro (MDB), em 2017, depois de passar oito anos sentado na cadeira de prefeito.

Ao final de sua segunda administração, Bentivi entregou a prefeitura com o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) bloqueado. Bentivi não pagou o INSS dos servidores municipais referentes aos salários nos meses de novembro e dezembro, além do INSS do 13º salário.

O resultado dessa irresponsabilidade foi no mínimo preocupante para a administração que entrava. Zulma enfrentou dois sequestros de verbas do FPM nos dois primeiros meses de sua gestão, recursos que poderiam ter sido utilizados para serviços essenciais, mas que foram automaticamente retidos pela Receita Federal devido à irresponsável inadimplência herdada de Bentivi. Para piorar, quando Zulma tentou parcelar a dívida, descobriu que a Receita Federal não permitia mais esse tipo de negociação, obrigando a gestora a quitar os valores integralmente.

Além de deixar um rombo nos cofres públicos, Bentivi garantiu que a bomba estourasse no colo da gestão seguinte. E agora, ironicamente, ele posa de vítima, tentando justificar seu decreto de emergência como se estivesse recebendo um município financeiramente arrasado pela administração de Mildson Medeiros (Avante).

Falácia, para quem não está familiarizado com o termo, é um argumento que parece lógico e convincente, mas esconde uma falha essencial que o torna enganoso. Muitas vezes usada na política, a falácia é um artifício retórico que induz a erro e confunde a opinião pública. Esse conceito foi primeiramente estudado por Aristóteles. O filósofo analisou como argumentos enganosos podiam ser usados para manipular debates e discussões.

O discurso de Bentivi, como já disse, se encaixa perfeitamente nessa definição. Ao decretar estado de emergência com base em dívidas herdadas, ele manipula a narrativa para esconder que, no passado, fez exatamente o mesmo — e pior. Muito pior!

Em 2017, Zulma Pinheiro, mesmo diante do caos deixado por Bentivi, assumiu a responsabilidade e trabalhou para pagar os débitos, sem recorrer a subterfúgios ou discursos alarmistas. O mais vergonhoso, porém, foi ver Zulma, anos depois, já como vereadora, bajulando Bentivi na primeira reunião da Câmara Municipal, como se ele não tivesse sido o responsável direto pelos problemas que ela mesma enfrentou. No lugar de esclarecer a verdade para a população, preferiu fazer graça para que o ex-prefeito sorrisse.

Bentivi pode continuar tentando reescrever a história com suas falácias bem elaboradas, mas os fatos falam mais alto. Ele não pode se eximir da responsabilidade pelo descontrole financeiro que ele mesmo plantou no passado. E veja que aqui nem sequer mencionei os absurdos cometidos em sua gestão anterior, como compras sem licitação, fato pelo qual já é réu na Justiça, juntamente com sua irmã e sua ex-tesoureira.

A população itanheense não deve cair no jogo de retórica e deve cobrar a fiscalização por parte dos vereadores. Além disso, qualquer cidadão de Itanhém pode procurar a Promotoria de Justiça do município para formalizar denúncias sobre irregularidades. Caso prefira, também é possível registrar denúncias de forma online por meio dos canais oficiais do Ministério Público.

A falácia pode até seduzir momentaneamente, mas a verdade sempre prevalece. E a verdade é que Bentivi, mais uma vez, tenta escapar das consequências de seus próprios atos, confiando que o povo de Itanhém se esqueça.

 

*Edelvânio Pinheiro tem licenciatura plena em Letras Vernáculas pela UNEB, com habilitação em Português e Literaturas, é bacharel em Jornalismo pela Católica (UCA) e tem pós-graduação lato sensu em Ciências Políticas. É radialista e autor de sete obras, incluindo crônicas, livro-reportagem e literatura infantojuvenil.

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