No loteamento Estância do Sol, no bairro Setor Bahia Sul, em Teixeira de Freitas parece haver uma regra que se repete com assustadora frequência:
“Quando a prefeitura não cumpre o que promete, quem aparece para “resolver” o problema são os urubus. E eles, ao contrário do poder público, não falham.”
Após sucessivas cobranças dos moradores — muitas delas feitas abertamente nas redes sociais — a Prefeitura de Teixeira de Freitas resolveu mudar o discurso sobre a coleta de lixo na localidade. O serviço, que deveria ocorrer às terças, quintas e sábados, já vinha sendo marcado pela irregularidade. Sacos acumulados, mau cheiro e ruas sujas se tornaram parte da rotina de quem vive ali.
Na última segunda-feira (26), moradores ouviram, por meio de uma emissora de rádio e por outros meios, a orientação oficial de que o lixo não deveria mais ser colocado logo pela manhã. A coleta continuaria nos mesmos dias, mas os sacos só poderiam ser colocados em frente às casas a partir das 18h, com recolhimento prometido até às 22h. No papel, tudo muito organizado. Na prática, conversa fiada pra boi dormir.
O caminhão do lixo simplesmente, de novo, não passou. E, como já virou cena recorrente na Estância do Sol, os urubus não perdoaram. Rasgaram sacolas, espalharam restos pelas ruas e transformaram a Estância do Sol em um retrato do descaso. Um espetáculo lamentável, mas previsível, quando o poder público anuncia e não executa.
O problema não é apenas a falta de coleta. É a quebra de confiança. Quando a prefeitura orienta, muda horário, pede colaboração da população e, ainda assim, não cumpre sua parte, ela empurra a responsabilidade para os moradores, e abre espaço para o caos. Onde o serviço público não chega, a sujeira chega. E os urubus também.
Na Estância do Sol, os faxineiros necrófagos, que por sinal cumprem uma função essencial na natureza, já aprenderam o horário. A Prefeitura de Teixeira de Freitas, ao que parece, ainda não.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro
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