Mais uma vez, o prefeito de Itanhém, Milton Ferreira Guimarães, o Bentivi (PSB), recorre à velha estratégia de manipulação midiática para jogar a população contra os professores. A matéria divulgada pelo site que sustenta sua administração é um claro ataque à categoria, tentando imputar aos educadores a responsabilidade pelo atraso nos pagamentos de seus próprios salários. Nada mais desonesto.
A APLB, sindicato que representa os profissionais da educação, fez o que qualquer entidade séria faria: buscar a Justiça para garantir que os direitos de seus filiados sejam respeitados. Ao contrário do que tenta sugerir o site que está a serviço do prefeito, a judicialização do caso não foi uma escolha leviana, mas sim uma necessidade diante da postura reincidente de desrespeito à classe por parte de Bentivi. Ele tem um histórico conhecido de enfrentamento com os professores, acumulando greves e descaso com o setor educacional.
Não se pode esquecer que, em gestões passadas, Bentivi enfrentou ao menos seis greves de professores, sendo uma delas de 45 dias letivos. Isso demonstra uma política de desvalorização dos educadores que se repete agora, mas com uma nova roupagem, na tentativa de culpar os próprios professores por buscarem seus direitos.
E o que dizer da infraestrutura das escolas municipais sob a gestão de Bentivi? O caso do adolescente que perdeu a vida eletrocutado no Colégio São Bernardo é um dos episódios mais tristes e revoltantes da história recente da cidade. Essa tragédia poderia ter sido evitada se houvesse um mínimo de fiscalização e cuidado com a segurança das unidades escolares. No entanto, sua administração foi marcada pela negligência, assim como agora tenta se eximir da responsabilidade pelos salários atrasados da educação que, irresponsavelmente não foram pagos pelo ex-prefeito Mildson Medeiros, do Avante.
A estratégia de Bentivi, através de seu site chapa-branca, é dividir os servidores e enfraquecer a organização dos trabalhadores. Ele tenta colocar a população contra os professores, comparando a situação da educação com a dos servidores da saúde. No entanto, essa comparação é falaciosa. O acordo feito com os trabalhadores da saúde foi um caminho possível para eles, mas isso não significa que a justiça não seja o caminho correto para a educação. Não se pode aceitar passivamente um atraso de salários e um descaso recorrente sem buscar os meios legais para garantir os direitos dos profissionais.
O suposto rombo financeiro deixado pela gestão anterior não pode ser usado como desculpa para perpetuar a desvalorização dos professores. O problema não está na APLB nem na decisão de buscar a Justiça, mas sim na gestão de Bentivi, que historicamente trata a educação com negligência.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro