O novo livro de poemas de Almir Zarfeg – “1966” – faz parte da Coleção Flores do Caos (Selo Starling, 2022). A iniciativa editorial homenageia a passagem dos 200 anos do nascimento do poeta francês Charles Baudelaire.
A Coleção Flores do Caos é composta por 12 obras poéticas de autores brasileiros e vêm sendo editadas desde o início de 2022, autor por autor e obra por obra. Em 31 de outubro, Dia Nacional da Poesia, o box contendo os 12 volumes será lançado oficialmente e estará à disposição dos leitores.
O volume 07 da coleção – intitulado “1966” – constitui uma espécie de autobiografia poética de Almir Zarfeg. O livro narra poeticamente os acontecimentos que se deram em agosto de 1966, mês e ano do nascimento do poeta itanheense, mas radicado em Teixeira de Freitas.
“A narrativa se inicia no dia 30 e perpassa os dias 29, 28, 27, sempre regressivamente, até chegar ao dia 1º de agosto. Conclui, com chave de ouro, no dia 31”, informou Zarfeg.
A obra tem uma pegada lúdica, quase infantil, com o poeta passando em revista várias reminiscências vivenciadas em Itanhém, sua terra natal. Mas há espaço para tudo e todos, como observou o poeta e crítico literário Leonardo de Magalhaens, que prefaciou a obra.
“Almir Zarfeg é mais otimista que saudosista, sabe como resguardar em si mesmo a criança travessa e malasartes, esperta e curiosa, que outrora descobria o mundo, com seu olhar nítido de girassol, singelo como Alberto Caeiro, entre as figuras meigas e exigentes dos adultos”, observou Leonardo.
O poema em versos livres – levemente experimentais – é permeado por um sem-número de imagens, registros e referências ao mundo da literatura, política e, em especial, ao universo água-pretense (ou itanheense): os familiares, o rio Água Preta, a Escola Polivalente e as aventuras da infância.
“Estou muito feliz por participar desse projeto grandioso do Rodrigo Starling, que não mede esforços para promover a poesia contemporânea brasileira”, disse Zarfeg, que é presidente de honra da Academia Teixeirense de Letras.
Em primeira mão, segue um trecho de “1966”:
DIA 26
Desconfio que já nasci
Sendo
Um monte de coisas
Sutis
Filho de vento e nuvem
Pós-vaqueiro
Coisas são biomas
Filho de peixe, peixinho é
As vacas eram seixos
Meu avô era Xavier
Eu aboiava alto e bonito:
poizéééééé!

Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro