A comparação dos recursos recebidos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) nos primeiros seis meses das três últimas gestões da Prefeitura de Itanhém revela um dado inquestionável: o atual prefeito, Bentivi (PSB), foi quem mais recebeu dinheiro do governo federal nesse período. No entanto, apesar dos cofres cheios, sua administração tem sido marcada por abandono, desorganização e falta de compromisso com a população.
Veja os valores repassados pelo FPM no primeiro semestre de cada gestão:
Gestão Zulma Pinheiro (2021):
Janeiro: R$ 2.494.133,71
Fevereiro: R$ 3.943.386,58
Março: R$ 2.603.841,58
Abril: R$ 2.798.896,64
Maio: R$ 3.373.657,14
Junho: R$ 2.944.368,95
Total: R$ 18.158.284,60
Gestão Mildson Medeiros (2023):
Janeiro: R$ 4.347.440,59
Fevereiro: R$ 5.285.292,86
Março: R$ 4.064.981,73
Abril: R$ 4.068.281,82
Maio: R$ 4.642.036,12
Junho: R$ 4.287.016,84
Total: R$ 26.695.019,96
Gestão Bentivi (2025):
Janeiro: R$ 7.799.399,10
Fevereiro: R$ 6.974.470,22
Março: R$ 5.459.347,67
Abril: R$ 5.826.120,38
Maio: R$ 6.793.696,10
Junho: R$ 6.797.764,10
Total: R$ 39.650.797,57
Bentivi recebeu R$ 21.492.512,97 a mais do que Zulma Pinheiro e R$ 12.955.777,61 a mais do que Mildson Medeiros.
Nunca antes na história do município de Itanhém se viu tanto dinheiro entrar nos cofres públicos em tão pouco tempo. Em apenas seis meses, o prefeito Bentivi teve à sua disposição R$ 39,6 milhões só do FPM — valor mais que o dobro do que Zulma Pinheiro administrou no mesmo período, e quase R$ 13 milhões a mais do que Mildson Medeiros.
No entanto, o que se vê em todas as regiões do município é abandono, precariedade e desrespeito com o povo. A infraestrutura está deteriorada. As estradas, mesmo em período de estiagem, estão praticamente intransitáveis. A cidade padece com ruas esburacadas, mato alto, falta de iluminação e ausência de serviços básicos.
Professores ainda aguardam o pagamento de salários atrasados de dezembro do ano passado. As unidades de saúde estão sucateadas, muitas vezes sem médicos, sem medicamentos e com equipamentos quebrados. A população mais pobre segue desassistida enquanto milhões de reais continuam entrando mensalmente nas contas da prefeitura.
É fundamental destacar que os valores citados referem-se apenas ao FPM, sem contar os recursos recebidos por meio de convênios, arrecadação própria e transferências estaduais e federais destinadas a áreas específicas como Saúde, Educação, Agricultura, Assistência Social, entre outras. Ou seja, há muito mais dinheiro circulando, mas nenhuma gestão à altura.
Mesmo diante das frequentes atualizações nos repasses federais e das variações econômicas naturais ao longo dos anos, os números apresentados são claros e suficientes para demonstrar a disparidade gritante entre os valores recebidos pela atual gestão e os das anteriores. Alegar que os aumentos são proporcionais à inflação ou a fatores conjunturais não justifica o abismo financeiro entre as administrações. Bentivi recebeu infinitamente mais recursos do que Zulma Pinheiro e Mildson Medeiros, o que torna ainda mais injustificável a situação de abandono que o município enfrenta. A realidade é que, com tanto dinheiro disponível, era esperado um salto de qualidade nos serviços públicos, e não o agravamento do caos.
Não falta dinheiro em Itanhém. Falta vergonha, compromisso e, principalmente, respeito com o dinheiro público e com a dignidade dos itanheenses.