A recente nomeação da itanheense Sloane Gomes Ferreira do Carmo para o cargo de secretária de Saúde de Teixeira de Freitas além de uma conquista pessoal é um símbolo do talento da terra de Água Preta que, apesar de tantas adversidades, continua a gerar filhos e filhas preparados, competentes e respeitados em diversas áreas do conhecimento e da administração pública.
Sloane, que já atuava como diretora da Assistência Farmacêutica no município vizinho, agora assume uma das pastas mais importantes da gestão da maior cidade do extremo sul da Bahia. E ela não está sozinha. Temos itanheenses brilhando na educação, na literatura, na música, no serviço público, na política, na saúde, na justiça, e até mesmo na comunicação, com nomes respeitados em todo o estado e até fora dele. Esse protagonismo, no entanto, parece ser reconhecido em todo lugar, menos por políticos em Itanhém.
Enquanto nossos talentos constroem reputações sólidas fora de casa, os últimos prefeitos que vão completar duas décadas de governo no final da gestão de Bentivi, no geral, insistem em ignorá-los. Em “20 anos” entre Zulma Pinheiro, Mildson Medeiros e Bentivi, o que se viu foi um histórico contínuo de desvalorização de profissionais locais, desrespeito à competência técnica, e uso político-partidário da estrutura pública.
É revoltante constatar que esses prefeitos, ao invés de buscar entre os filhos da terra pessoas capacitadas para comandar áreas estratégicas do município, nomearam familiares, aliados políticos e apadrinhados sem qualquer preparo técnico. A ex-prefeita Zulma, por exemplo, montou um verdadeiro consórcio familiar na administração: era marido, irmãos... todos estrategicamente alocados em cargos de destaque. Já o atual prefeito Bentivi não apenas colocou a própria esposa como secretária, como também mantém contratos com a empresa da irmã e de outros parentes, transformando a prefeitura em balcão de negócios privados.
Não bastasse isso, um dos maiores símbolos do desprezo pela valorização local aconteceu logo na primeira semana após sua eleição. Bentivi, em um ato claro de desdém à imprensa itanheense, concedeu sua primeira e única entrevista coletiva não na cidade que o elegeu, mas a 100 km de distância, em Teixeira de Freitas. Um gesto que escancara sua postura autoritária, centralizadora e desrespeitosa. E o mais triste foi ver jornalistas e radialistas aceitando calado, a humilhação.
No governo Mildson Medeiros, a situação não foi diferente. Em mais uma afronta à inteligência do povo de Itanhém, uma secretária de Saúde foi “importada” de Itamaraju, como se aqui não existissem profissionais competentes e comprometidos com o município. Esse tipo de ação, para além da ofensa simbólica, reforça a ideia de que a política itanheense foi transformada em feudo de conveniência, e não em ferramenta de gestão pública séria e eficiente.
O que já li na minha pós-graduação de ciência política é o suficiente para entender que a legitimidade democrática se constrói, entre outros fatores, com participação cidadã, respeito à ética pública e compromisso com o bem coletivo. Não há legitimidade em nomeações feitas para favorecer familiares. Não há ética em contratar parentes com dinheiro público. E não há compromisso com o povo ao ignorar seus filhos mais preparados para servir à sua própria terra.
Por isso, ao celebrar a nomeação da água-pretense Sloane em Teixeira de Freitas, é igualmente necessário lamentar o desprezo histórico que esses prefeitos de Itanhém demonstraram por tantos outros talentos. Foram muitas as Sloanes ignoradas. Cabeças pensantes, mentes capacitadas, profissionais íntegros e preparados foram deixados de lado em nome de alianças espúrias, vaidades pessoais e interesses familiares. Em vez de valorizarem quem conhece a realidade do município e tem compromisso com o bem público, esses gestores preferiram fortalecer seu próprio círculo de poder.
Chega de desprezar nossas raízes. Itanhém não precisa importar competência, o município tem de sobra.