Edelvânio Pinheiro*
Dias atrás, ao parar no carrinho de água de coco do meu amigo Olímpio Ressureição, na Rua Zilda Arns Neumann, no centro de Teixeira de Freitas, para matar uma sede que me pertubava naquele momento, tive o privilégio de encontrar a professora Nely Loyola. Conversei com ela por alguns minutos, depois de carinhosaente abraçá-la, e não deixei de lhe dizer do orgulho que nós itanheenses sentimos em ver seu filho, Adolpho Loyola, alcançar tamanha projeção política na Bahia. Lembrei a ela, ainda, da importância de sua dedicação como educadora, responsável pela formação intelectual de milhares de itanheenses, inclusive a minha. Mais uma vez, agradeci por tudo que ela fez por nossa terra, sempre com amor, firmeza e compromisso educacional.
Essa conversa, aparentemente simples, me fez refletir sobre o contraste entre duas realidades. A primeira, a grandeza de um filho de Itanhém que hoje ocupa a Secretaria de Relações Institucionais do Governo do Estado — a mais importante pasta do governador Jerônimo Rodrigues — e o estado de abandono e atraso em que nossa querida Itanhém mergulhou nas últimas duas décadas.
Quando terminar a sua terceira gestão, Milton Ferreira Guimarães, o Bentivi (PSB), terá administrado o município por 12 anos. Somam-se a esse período os quatro anos de Zulma Pinheiro (MDB) e os quatro de Mildson Medeiros (Avante). Vinte anos, portanto, em que Itanhém esteve sob as mesmas mãos, sob a mesma lógica política e sob os mesmos vícios administrativos. Décadas que poderiam ter sido de avanço e prosperidade, mas que, na prática, resultaram em estagnação e retrocessos vergonhosos.
A primeira gestão de Bentivi, em 2009, encerrou o ciclo em que Gedeon Botelho e Neco Batista exerciam forte influência na política local. Naquele momento, quase todas as lideranças políticas se uniram para apoiá-lo, inclusive Gedeon Botelho, após a primeira derrota de Bentivi nas urnas. No entanto, Bentivi não foi politicamente leal ao grupo que o ajudou a chegar ao poder. Pelo contrário, ao permitir a eleição de Zulma Pinheiro, mostrou a face de um político que adora receber apoios, mas detesta retribuí-los. Não à toa, ganhou escancaradamente a fama de não cumprir acordos.
A forma de governar permaneceu a mesma, como contratar empresas de aliados políticos e familiares, enquanto os empregos da prefeitura viraram moeda de troca para agradar seus “amiguinhos ricos”. E, enquanto isso, o povo continuou à margem.
A saúde pública, que deveria ser prioridade, foi transformada em cenário de descaso. Em pleno século XXI, é inadmissível que cidadãos tenham de viajar dezenas de quilômetros para conseguir atendimento médico básico ou realizar exames simples. Muitos pais e mães de família sabem o que é o sofrimento para fazer exames e, muitas vezes, nunca acontece. Isso sem falar na precariedade das unidades de saúde e na falta crônica de medicamentos, inclusive no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), situação que obriga os mais pobres a escolherem entre comprar o remédio ou o alimento do dia.
Na educação, o quadro não é menos desolador. Escolas com estruturas ultrapassadas, professores desvalorizados, falta de merenda escolar de qualidade e transporte precário para os estudantes da zona rural. Foi na gestão anterior de Bentivi que um adolescente morreu eletrocutado durante uma aula de educação física no Colégio Municipal São Bernardo. O resultado é uma geração inteira de jovens que cresce sem estímulo, sem perspectiva e sem oportunidades reais de sonhar com um futuro melhor. O que era para ser um investimento no amanhã transformou-se em uma dívida social impagável.
Já na infraestrutura, a realidade é de abandono. Ruas escuras, esburacadas, cheias de mato e lamas, estradas princiapsis e vicinais em péssimo estado, pontes quebradas, ausência de saneamento básico em vários bairros e distritos. A cada período de chuva, alunos tem dificuldades para serem levados às escolas e trabalhadores perdem a possibilidade de escoar sua produção agrícola. Em vez de planejamento urbano e obras estruturantes, Itanhém se acostumou a medidas paliativas e improvisos, como se a população tivesse que agradecer por um cascalho jogado em uma estrada ou por uma lâmpada trocada num poste.
A esse cenário de caos a gestão de Bentivi oferece como resposta festas e shows. A ilusão do entretenimento. A velha fórmula do “pão e circo”, utilizada no Império Romano para distrair o povo com espetáculos enquanto o Estado mergulhova em crises profundas. Aqui em Itanhém, a lógica é a mesma. Enquanto a saúde, a educação e a infraestrutura desmoronam, a população é entretida com eventos que não resolvem seus problemas, apenas anestesiam suas dores. Se antes nossa cidade realizava campeonatos esportivos e eventos culturais que envolviam a juventude, hoje restam apenas os palcos e as bandas, como se músicas de vaquejadas pudesse esconder a miséria e a falta de perspectivas.
É esse cenário de decadência que, humildemente, nos faz sugerir olharmos para um exemplo positivo, um nome que projeta Itanhém para além das fronteiras municipais, que é o nosso conterrâneo Adolpho Loyola. Filho da professora Nely Loyola, ele carrega a herança de uma família comprometida com a educação e, agora, a experiência política adquirida no coração do governo estadual. Iniciou sua trajetória como chefe de Gabinete e hoje ocupa uma das funções mais estratégicas do governo da Bahia.
E, para finalizar este artigo, que decidi escrever depois de uma conversa com o meu amigo desportista Hinho ferraz, diante da atual conjuntura, não posso deixar de sugerir que Adolpho Loyola, de forma direta ou indireta – como ele estrategicamente achar melhor -, ajude sua terra natal a reencontrar o rumo do desenvolvimento e da responsabilidade com a gestão pública. Direta, caso decida se apresentar como opção política, colocando seu nome à disposição da população. Indireta, caso prefira apoiar um novo nome, uma nova cara, que represente mudança verdadeira, com respaldo das lideranças locais e, sobretudo, com a aceitação popular.
Itanhém não pode permanecer na mesmice de duas décadas de atraso, com uma diminuição constante da nossa população. Precisamos resgatar a dignidade de nossa cidade, dos distritos de Ibirajá e Batinga, de Santa Riti do Planalto, de Dolírio Rodrigues, das vilas Resende, São José, Salomão e Curvelo da Conceição, além das dezenas de comunidades rurais, que foram organizadas e fortalecidas por pessoas do partido de Loyola, como Alex Chaves, por exemplo. É necessário, e de forma urgente, aproveitar o bairrismo que corre no sangue de todo itanheense, e reestruturar a política no nosso município, abrindo caminho para uma gestão comprometida com o futuro.
Adolpho Loyola, por sua história, sua formação e sua posição de destaque no cenário baiano, pode ser a chave para essa virada. O momento pede coragem, desprendimento e visão coletiva. É hora de acreditar que Itanhém pode, e merece, muito mais do que o ‘pão e circo’ que nos tem sido oferecido.
Por ora, é o que este humilde jornalista água-pretense sugere.
*Edelvânio Pinheiro é bacharel em Jornalismo pela Católica (UCA), foi editor do jornal Alerta de Teixeira de Freitas e correspondente do A Tarde, de Salvador, na extinta sucursal do extremo sul, e é diretor-geral do site Água Preta News. É também radialista, ex-chefe de jornalismo da Rádio Extremo Sul de Itamaraju e diretor-geral da Rádio Master FM, de Itanhém. Escritor, autor de sete obras, incluindo uma obra infantojuvenil publicada no Brasil e em Portugal pela editora Flamingo, possui licenciatura em Letras Vernáculas pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e é pós-graduado em Ciências Políticas.
Créditos (Imagem de capa): Foto: Adolpho Loyola (E) e Hinho Ferraz.