Neste primeiro dia do ano, tive o prazer de reencontrar Guerreiro, um contramestre de capoeira que reside na cidade de Alcobaça. Desde o final dos anos 1990, quando, com a colaboração de alguns desportistas, criei o Itaóca, o maior evento esportivo da história de Itanhém, Guerreiro, na época conhecido como Feiticeiro, não apenas se destacava como professor de capoeira, mas também participava da abertura de todas as edições dos jogos de vôlei e futsal no Itaóca. Ele e seus alunos eram a atração principal, exibindo a beleza da capoeira e do Maculelê com Facão, recebendo aplausos entusiásticos de milhares de espectadores.
Na cidade de Alcobaça, Guerreiro continua imerso na arte da capoeira, ministrando aulas em escolas da rede municipal, no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) e na APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). Seu comprometimento vai além das técnicas e movimentos dessa arte milenar, que foi considerada pela UNESCO patrimônio imaterial da humanidade. Para os alunos dessas instituições, a presença do contramestre representa mais do que simples aulas; significa a oportunidade de superar desafios, fortalecer a autoestima e encontrar um espaço de inclusão e acolhimento.

Na rotina desses alunos, a capoeira se revela como uma poderosa ferramenta de desenvolvimento físico, mental e emocional. Nas aulas ministradas pelo contramestre, eles não apenas aprendem os movimentos característicos dessa arte, mas também absorvem valores como disciplina, respeito mútuo e trabalho em equipe. Para os alunos do CAPS e da APAE, especialmente, a capoeira se torna uma forma de expressão, permitindo que cada um mostre suas habilidades únicas, independentemente de suas diferenças.
Guerreiro, com sua dedicação incansável - assim como fez quando desenvolveu seu belíssimo trabalho nas escolas da cidade de Itanhém – continua construindo não apenas praticantes desse esporte fascinante, mas cidadãos mais confiantes e resilientes. Ele é um verdadeiro catalisador de transformação na vida daqueles que têm a oportunidade de aprender com ele. Seu compromisso com a capoeira vai além do ensino técnico; é um compromisso com a construção de um futuro mais inclusivo e humano.
Em meio à agitação do mundo moderno, o contramestre Guerreiro mantém vivo o legado da capoeira como uma arte que transcende a mera prática física, tornando-se um farol de esperança e inspiração para seus alunos, que encontram na ginga e nos movimentos da capoeira muito mais do que uma atividade esportiva. Encontram uma verdadeira lição de vida.


Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro