A cidade de Itanhém acordou em polvorosa nesta sexta-feira (4), depois que o prefeito e candidato à reeleição Mildson Medeiros (Avante) anunciou, em um vídeo nas redes sociais, que uma novidade para sua campanha seria apresentada na casa de Derilton Porto logo pela manhã. Joabe Pires, o candidato a vice de Mildson, cuidou logo de revelar o que seria a novidade: em um vídeo, ele aparece comemorando com um adesivo do 15 (que é o número de Magno Pinheiro) no peito. O suposto acordo, entretanto, fracassou.
A política é frequentemente vista como a arte do acordo, mas a situação atual em Itanhém revela um lado menos nobre dessa prática. Mildson Medeiros tem se mostrado mais interessado em não perder o poder para agradar ao seu grupo político do que em representar os verdadeiros interesses da população que o apoia. A expectativa que já nasceu fracassada de um possível acordo entre ele e Magno Pinheiro (MDB) surgiu como um teste de caráter político que, se fosse concretizado, poderia enterrar definitivamente a trajetória política da família Pinheiro e, claro, macular a história política do patriarca da família, Neco Batista.
Magno, enfrentando dificuldades em sua campanha, em meio ao crescimento do candidato Milton Ferreira Guimarães, o Bentivi (PSB), estaria adotando uma estratégia arriscada ao aliar-se ao seu crítico de longa data e responsável pela derrota de sua irmã, Zulma Pinheiro, com a maior margem de votos da história eleitoral de Itanhém. Essa manobra, se de fato fosse realizada, levantaria questões sérias sobre as convicções políticas de ambos os grupos. Se, de fato, Magno Pinheiro estivesse disposto a deixar de lado seus ideais políticos por uma aliança que se mostra fadada ao fracasso, estaria destruindo todo o seu capital político, que poderá ser recuperado nas próximas eleições municipais.
No vídeo, Mildson Medeiros prometeu anunciar uma "novidade" para seus apoiadores, mas isso soou mais como um desespero político. O momento descontraído de seu candidato a vice, Joabe Pires, com um copo do que parece ser cerveja na mão, em meio a alguns eleitores empolgados, evidencia a superficialidade dessa suposta união e a incompetência da coordenação de campanha de as candidatura. Ao invés de se concentrar nas soluções para os problemas reais de Itanhém, como os atrasos nos pagamentos a prestadores de serviços e servidores públicos para ajudar a fortalecer o comércio local, Mildson parece mais preocupado em garantir sua permanência no poder a qualquer custo, desrespeitando o direito da população de escolher e alternar os governantes, um dos pilares da Nova República.
Embora o histórico de Mildson e Joabe na saúde pública seja relevante (é preciso reconhecer), isso não justifica a escolha de se associar a alguém que representa tudo o que antes combateram. A suposta união entre Mildson e Magno não parece refletir um compromisso sério com uma administração responsável, mas sim uma tentativa de preservar interesses próprios e de pessoas que não querem, de forma alguma, largar a teta da prefeitura, que produz o leite mais saboroso do mundo.
Além disso, a base de apoio de Magno e sua irmã, historicamente adversários de Mildson, pode reagir de maneira imprevisível a qualquer acordo entre eles. Os eleitores da família Pinheiro podem se sentir traídos e optar por Bentivi ou mesmo por Magno, desafiando qualquer tentativa de manipulação política. É importante lembrar que, independentemente de qualquer suposto acordo, nada impede o eleitor de votar em Magno Pinheiro, cujo nome continuará na urna, podendo ser votado, inclusive eleito.
Essa dinâmica sugere que acordos políticos, quando não fundamentados em princípios reais, podem se transformar em armas de dois gumes, gerando consequências indesejadas para a campanha de Mildson e para o futuro político da família Pinheiro, que até hoje não tem em seu histórico desistências de última hora em apoio a adversários.
O que se torna evidente é que quem aceitar essa aliança pode estar mais preocupado em manter o poder do que em promover um futuro melhor para a economia e os demais setores do desenvolvimento do município, ainda que seja a longo prazo.
Em última análise, cabe aos eleitores refletir sobre o que realmente querem de seus líderes políticos. E, se a política é, de fato, a arte do acordo, como disse no início deste artigo, que esses acordos sejam para o bem comum e não para atender a interesses particulares disfarçados de compromisso político.
É bom lembrar que Magno Pinheiro ainda não se manifestou nas redes sociais sobre o assunto. O espaço está aberto aqui para qualquer manifestação do candidato.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro