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Em Itanhém, os melhores gestores sabiam que mulher de prefeito não foi eleita pra “meter o bico”

A lógica é simples e republicana: quem se apresenta ao povo e recebe o voto é o prefeito, não a esposa.

Em Itanhém, os melhores gestores sabiam que mulher de prefeito não foi eleita pra “meter o bico”
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Por décadas, a política de Itanhém foi marcada por lideranças que compreendiam que o voto é dado ao candidato eleito, não à sua família. Ao perguntar a quem conhece a história do município sobre os melhores prefeitos, os nomes de Sady Teixeira Lisboa, Gedeon Botelho e Neco Batista surgem com naturalidade. Não por acaso, esses três governantes têm algo em comum que os difere da nova geração. Eles jamais permitiram que suas primeiras-damas “metessem o bico” na gestão.

Sady, o primeiro gestor, construiu as bases administrativas de Itanhém em 1958 sem recorrer à sombra do cargo para abrigar influências familiares. Gedeon Botelho, eleito em 1981 e reconduzido por outros dois mandatos, mostrou que se governa com legitimidade das urnas, não com braços extras puxados do núcleo doméstico. Neco Batista, em seus dois mandatos, sendo o primeiro iniciado em 1989, seguiu a mesma cartilha, respeitando ao eleitor que confiou neles, não em suas mulheres.

A lógica é simples e republicana: quem se apresenta ao povo e recebe o voto é o prefeito, não a esposa. Quando a primeira-dama atua como secretária, toma decisões, fala em nome do governo ou ocupa espaço institucional sem ter passado por eleição, há um desvirtuamento do mandato. Não se trata de impedir que cidadãs participem da vida pública, que concorram, se filiem, sejam eleitas. Mas governar pelos fundos da função é um atalho autoritário e anti-isonômico, como atualmente faz a mulher do prefeito Bentivi.

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Aqui preciso ser claro em referência a Neco Batista. É verdade que pelo menos dois de seus filhos atuaram diretamente em suas gestões. Não se trata, portanto, de uma ausência total de parentes na máquina pública. Mas a diferença fundamental, e que precisa ser destacada, é a forma como isso acontecia. Diferentemente do que se vê hoje — onde primeiras-damas agem como verdadeiras coprefeitas, tomando decisões de forma autônoma, comandando secretarias e até falando publicamente em nome do governo —, Neco Batista sempre exerceu o controle absoluto de sua administração. Os filhos trabalhavam sob seu comando, com firmeza, e as decisões finais, as estratégias, os rumos políticos e administrativos partiam exclusivamente dele. Não havia espaço para dúvida sobre quem havia sido eleito. O prefeito era Neco, e ele governava como tal. Não se confundia o papel do servidor familiar com o do mandatário. E, acima de tudo, jamais se permitiu que a esposa — a primeira-dama — assumisse protagonismo ou poder de fato na gestão. Esse limite nunca foi ultrapassado.

O contraste com a atual fase é gritante. Bentivi, Mildson Medeiros e Zulma Pinheiro — que juntos somarão duas décadas e meia à frente do município — representam exatamente o modelo que os três melhores prefeitos recusaram. Na gestão de Bentivi, a primeira-dama Lidiane Guimarães além de ocupar a Secretaria de Assistência Social fala publicamente em nome do prefeito nas redes sociais, confundindo o papel institucional com extensão doméstica do poder. Em Mildson, a mesma lógica. A primeira-dama atuou como secretária, sem voto, sem escrutínio público direto. Já Zulma Pinheiro, embora seu marido médico tenha sido contratado pela prefeitura, teve seus irmãos como protagonistas da gestão, repetindo, com outros laços familiares, o vício de transformar o cargo em espólio doméstico.

O que Sady, Gedeon e Neco ensinaram, e que parece ter sido esquecido, é que a excelência na gestão não se mede pela quantidade de parentes no primeiro escalão, mas pela capacidade de honrar o voto sozinho, com responsabilidade e transparência. Colocar a mulher para “meter o bico” na administração — seja como secretária, seja como porta-voz — é desprezar a vontade popular. O povo de Itanhém não elegeu casais, nem irmãos, nem clãs. Elegeu prefeitos. Os melhores prefeitos da história do município sabiam disso. Os atuais, ao que tudo indica, esqueceram, ou fingem que não importa.

Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro

Créditos (Imagem de capa): Prefeitos Gedeon Botelho, Sady Teixeira e Neco Batista.

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