No artigo "Reflexões sobre a necessidade de transformação urgente na política nos 66 anos de Itanhém" o jornalista Edelvânio Pinheiro, que tem pós-graduação em Ciências Políticas e licenciatura plena em Letras Vernáculas, oferece uma análise crítica e reflexiva sobre a situação política atual do município.
Com mais de seis décadas de emancipação político-administrativa, a cidade enfrenta um ciclo persistente de desilusão por parte dos eleitores, como evidenciado pelas recentes revelações dos possíveis acordos do ex-prefeito Milton Ferreira Guimarães. O jornalista, que é itanheense, utiliza sua experiência acadêmica para examinar a dinâmica de poder e os acordos políticos que priorizam interesses pessoais em detrimento do desenvolvimento coletivo.
O artigo combina uma análise fundamentada com citações de teóricos renomados como Thomas Hobbes, Max Weber e John Locke, para enriquecer a discussão sobre a corrupção sistêmica e a falta de transparência nas administrações municipais. Ao mesmo tempo, o texto apela para uma mobilização popular e a necessidade urgente de reformar a política no município, visando uma gestão mais ética e comprometida com o bem-estar da população, principalmente dos menos favorecidos.
Através de uma abordagem crítica, Edelvânio Pinheiro convoca os cidadãos de Itanhém a refletirem sobre a realidade política e a se engajarem ativamente na busca por mudanças significativas e positivas para a cidade.
Veja o artigo:
Hoje, ao celebrarmos os 66 anos de emancipação político-administrativa de Itanhém, é impossível ignorar o contexto atual, que exemplifica perfeitamente o ciclo de desilusão política que assola nossa cidade há décadas. Recentemente, um áudio do ex-prefeito Milton Ferreira Guimarães, conhecido como Bentivi (PSB), circulou nas redes sociais, revelando uma conversa que expõe de maneira crua a verdadeira face da política local.
No áudio, Bentivi, sob a alegação de que se trata de uma estratégia para unir grupos na sua campanha eleitoral, expressa sua alegria com a possibilidade de um acordo com o grupo dos Pinheiro, uma aliança que, de maneira alarmante, parece mais interessada em manter seus privilégios e poder do que em qualquer forma de desenvolvimento real para Itanhém. Esta situação evidencia um padrão recorrente em nossa cidade: políticos que se alegram com acordos e conchavos em vez de se preocuparem com o bem-estar de toda a população, principalmente da parte mais necessitada.
Esse tipo de comportamento corrobora a metáfora cruel que descreve o político brasileiro como alguém que "pisa no pescoço da mãe até a coitada pôr a língua pra fora para se eleger e depois roubar ou permitir que roubem o dinheiro do povo." A imagem é forte, mas infelizmente, muitas vezes, é um reflexo fiel da realidade. Como Thomas Hobbes apontou, em sua magnífica obra Leviatã, "no estado de natureza, a vida do homem seria solitária, pobre, sórdida, brutal e curta" se não houvesse um poder soberano que impusesse a ordem. Esta visão ilustra a necessidade de um sistema que funcione para proteger o bem-estar coletivo, ao invés de perpetuar o poder para interesses pessoais.
É através de acordos e negociações como esse que tanto alegrou Bentivi, que prefeituras são vendidas pelo país afora, e o desenvolvimento das cidades fica em segundo plano. A população, que sempre espera ver investimentos em infraestrutura, saúde, lazer, segurança e educação, é deixada à margem enquanto recursos são desviados e prioridades são distorcidas em benefício de uma elite política. O cidadão comum, pobres eleitores, geralmente mal esclarecidos e desinformados, acabam pagando o preço por essa corrupção sistêmica. Sem o conhecimento necessário para questionar e exigir mudanças, muitos acabam sendo manipulados por promessas vazias e campanhas enganosas. Esses eleitores são frequentemente usados como peças em um jogo de poder, onde suas necessidades e desejos são ignorados em favor de acordos que beneficiam apenas um grupinho. A falta de transparência e a ausência de um controle efetivo e mais rigoroso por parte dos órgãos eleitorais responsáveis permitem que essa dinâmica continue, perpetuando um ciclo de desilusão e estagnação que impede o verdadeiro desenvolvimento das nossas cidades.
Max Weber analisou como o comportamento político pode ser guiado por interesses pessoais, afirmando que "o político é aquele que, com as suas ações e palavras, quer provocar um determinado efeito sobre a vida de outras pessoas". Isso reflete a realidade de muitos líderes que priorizam seu próprio benefício sobre o bem-estar da comunidade.
Os novos nomes que surgem na arena política em Itanhém, e que inicialmente oferecem uma luz de esperança e renovação para a população, frequentemente se revelam, em sua maioria, desqualificados e desprovidos de um verdadeiro plano de transformação. O entusiasmo inicial, que poderia sinalizar uma possível mudança positiva, logo se desfaz ao confrontarmos a realidade de campanhas que carecem de substância e compromissos reais. Em muitos casos, esses candidatos se mostram apenas mais uma peça no jogo político, sem uma visão clara ou estratégias concretas para enfrentar os desafios da cidade. Há deles que chegam ao absurdo de plagiar integralmente – até com os erros gramaticais – planos de outras cidades bem distantes da nossa, numa demonstração indubitável do seu descompromisso com a discussão com a sociedade organizada.
Esse fenômeno não é meramente uma questão de falta de criatividade ou falta de recursos. Ele revela um desprezo profundo pela importância da construção de políticas públicas adaptadas às necessidades específicas do povo itanheense. O plágio de planos de governo, que frequentemente são descontextualizados e inadequados para a realidade local, demonstra uma falta de originalidade e esforço, além de desrespeitar o papel da cidadania e das instituições locais na formulação de propostas que verdadeiramente respondam às demandas da população.
Além disso, a falta de um plano de governo criado ou promovido pelo político é um reflexo de uma abordagem superficial e oportunista. Candidatos que recorrem a tais práticas não se comprometem com um debate sério sobre as reais necessidades da cidade, nem com a elaboração de estratégias viáveis para o desenvolvimento sustentável. Em vez disso, eles preferem se aproveitar do vazio político existente para fazer promessas vagas e genéricas, na esperança de capturar o voto de eleitores desinformados ou desiludidos.
A ausência de propostas concretas e a prática de copiar planos de outras localidades também evidenciam a falta de uma visão estratégica e de liderança autêntica. Liderar uma cidade como Itanhém exige uma compreensão profunda de suas peculiaridades, desafios e oportunidades. Políticos que não dedicam tempo e esforço para entender a realidade local e que, em vez disso, optam por soluções prontas e inadequadas, falham em exercer a responsabilidade pública que lhes é confiada.
Esse comportamento é um sintoma de uma crise maior na nossa realidade política, onde a falta de compromisso com o bem público e a superficialidade das campanhas eleitorais perpetuam a estagnação e o desencanto da população água-pretense. A confiança dos eleitores é corroída quando as promessas não se concretizam e quando os novos líderes se mostram tão falhos quanto os anteriores.
Ainda sobre os novos nomes, à medida que o ciclo eleitoral avança e as convenções se aproximam, torna-se evidente que a verdadeira intenção desses pseudo-líderes é muito diferente do que aparentava ser. Em vez de buscar uma verdadeira mudança, muitos se dedicam a explorar o capital político que construíram com base na confiança e na ingenuidade do povo. Eles tratam a política como uma mercadoria, uma oportunidade para lucrar e garantir vantagens pessoais, muitas vezes vendendo sua influência e apoio em troca de favores, dinheiro ou poder. O capital político que adquiriram é convertido em oportunidades financeiras, manipulando a boa fé dos eleitores que, órfãos de verdadeiros líderes e desiludidos com a corrupção e ineficiência dos antigos gestores, acabam acreditando no primeiro discurso convincente que encontram.
John Locke, por sua vez, no “Segundo Tratado sobre o Governo” enfatizou a importância de uma gestão para a proteção dos direitos naturais, afirmando que "onde não há lei, não há liberdade". A falta de um processo de fiscalização efetiva e por uma cultura de apatia cívica, onde o eleitorado, frequentemente desinformado e desengajado, acaba sendo enganado por discursos bem elaborados e promessas vazias, como se tem visto nas redes sociais nos vídeos mentirosos do pré-candidato Magno Pinheiro (MDB). O resultado é uma perpetuação de um sistema político que prioriza o benefício pessoal de poucos em detrimento do desenvolvimento e do bem comum.
Os vereadores, em sua maioria, são também peças da corrupção sistêmica que afeta a administração pública de Itanhém e quase que a totalidade das cidades brasileiras. Muitas vezes, esses representantes locais se mostram cúmplices ou até protagonistas na perpetuação de um sistema que prioriza interesses pessoais e acordos espúrios em vez de focar nas verdadeiras necessidades da população.
A falta de fiscalização rigorosa e de um sistema de controle efetivo permite que esses políticos atuem com uma liberdade preocupante, muitas vezes negociando votos e apoio em troca de favores, dinheiro e outros benefícios. Em vez de desempenharem o papel de fiscalizadores e de promoverem a legislação que beneficiaria a comunidade, muitos vereadores acabam se envolvendo em práticas que contribuem para um ciclo vicioso onde o dinheiro público toma outros rumos e os projetos de desenvolvimento são adiados ou abandonados.
Enquanto a população continua a sofrer com a falta de infraestrutura, saúde e educação adequadas, esses representantes frequentemente se dedicam a garantir seus próprios interesses e a perpetuar suas alianças políticas, sem realmente se importar com o impacto de suas ações na vida dos cidadãos: é o que se tem visto antes e agora no município de Itanhém. A sensação de impotência e desconfiança cresce entre os eleitores, que começam a ver seus vereadores não como defensores da comunidade, mas como participantes de um esquema que os explora e os trai.
Para romper com essa dinâmica corrupta, é essencial que haja um esforço coletivo para exigir maior transparência, responsabilização e compromisso dos nossos representantes. O engajamento ativo da população, a pressão por uma fiscalização mais rigorosa e a busca por novos líderes verdadeiramente com ações dedicadas à comunidade são passos importantes para transformar o cenário atual e garantir que os recursos públicos sejam utilizados para promover o verdadeiro desenvolvimento de Itanhém e não para enriquecer políticos e seus familiares, amigos e financiadores de campanhas.
Neste aniversário de emancipação da nossa amada terra de Água Preta, é muito importante que a comunidade de Itanhém se una e tome uma posição firme em busca de uma verdadeira transformação. Esta data não deve ser apenas uma celebração do passado, mas um ponto de partida para uma mudança no presente e no futuro da nossa cidade. Precisamos usar este momento para refletir sobre a realidade atual e para fazer uma cobrança séria e contundente aos nossos líderes.
Devemos repudiar veementemente todos os acordos espúrios que visam apenas beneficiar grupos políticos em vez de promover o bem-estar coletivo. A prática de negociar favores e apoiar interesses particulares em detrimento das necessidades da população deve ser totalmente reprovada e combatida. Esses acordos, que muitas vezes são feitos às escondidas e longe dos olhos da sociedade, resultam em uma gestão pública que se distancia dos verdadeiros objetivos de desenvolvimento da população e da justiça social.
É necessário exigir uma nova abordagem para a política de Itanhém, baseada na transparência e na responsabilidade. Precisamos buscar uma gestão que não apenas fale sobre compromisso e ética e venda mentiras e enganações nas redes sociais, mas que realmente prove essas qualidades através de ações concretas. A opacidade nas decisões e a falta de prestação de contas não podem mais ser toleradas. Cada líder deve ser responsabilizado pelo impacto de suas decisões e pela forma como administra os recursos públicos e para isso precisamos de gestores e vereadores verdadeiros, comprometidos e honestos.
Precisamos reimaginar a política como um serviço dedicado ao bem comum, e não como uma plataforma para a realização de interesses pessoais ou para a perpetuação de uma elite que se aproveita da fragilidade das instituições e da falta de informação da população. Governar para o povo deve significar priorizar as verdadeiras necessidades da comunidade, como já dito antyeriormente neste artigo, com investimentos em infraestrutura, saúde, educação, lazer, emprego e renda e segurança, e trabalhar incansavelmente para promover a igualdade e o desenvolvimento sustentável.
Itanhém precisa de líderes que estejam dispostos a enfrentar os desafios de frente, que tenham a coragem de lutar contra a corrupção e que se dediquem a construir uma cidade onde todos possam prosperar. A mudança não virá de forma automática; ela exige o engajamento ativo de cada homem, de cada mulher, que devem se informar, participar e exigir a transformação que desejamos para nossa cidade.
Vamos aproveitar este aniversário dos 66 anos para reafirmar nosso compromisso com uma gestão pública justa e eficaz, e, claro, procurarmos um político que esteja mesmo preocupado com o povo, diferentemente desses que aí estão.