O terceiro mandato de Milton Ferreira Guimarães, o Bentivi (PSB), à frente da prefeitura de Itanhém é marcado por um descrédito por parte da população, reflexo das falhas e controvérsias de suas duas administrações anteriores. As acusações que envolvem fraudes em licitações, nepotismo e contratações irregulares lançam uma grave sombra sobre o futuro da gestão pública no município. Mesmo diante desses desafios éticos e políticos, Bentivi, bem ao seu estilo escorregadio, tenta demonstrar à população que poderá governar com transparência e responsabilidade. No entanto, a história recente de sua administração, somada às acusações que pesam sobre ele, alimenta a desconfiança e acende um alerta sobre o papel fiscalizador da Câmara de Vereadores, do Ministério Público e da própria sociedade.
Bentivi carrega um histórico polêmico que remonta ao seu primeiro mandato como prefeito (2009-2012), quando foi acusado de fraudes em licitações e contratações irregulares. Segundo o Ministério Público, as irregularidades envolveram desde a contratação ilegal de servidores até esquemas para beneficiar empresas ligadas à sua irmã, Isabel Guimarães, e à então tesoureira, Nájlla Correia Magalhães. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de quase R$ 1 milhão, valor sem atualização. Outro exemplo controverso foi a utilização de contratações emergenciais para aquisição de combustíveis sem respaldo legal adequado, justificadas por Bentivi na época como "necessidades urgentes". Esses atos ilustram uma abordagem sistemática de desrespeito aos princípios de impessoalidade e transparência.
Além disso, a atuação de empresas suspeitas, como a de Achiles Santos de Souza, denunciada por contratos supostamente fraudulentos, destaca um padrão preocupante de favorecimento. Esses casos históricos exemplificam como práticas antiéticas prejudicam a gestão financeira de Itanhém e a economia local, ao direcionar recursos para interesses privados e desestimular investimentos legítimos. Portanto, analisar esse passado é muito importante para compreender os desafios éticos que a nova gestão de Bentivi enfrenta e os riscos iminentes de repetição dessas práticas.
Diante desse cenário, o retorno de Bentivi ao cargo de prefeito levanta uma questão importante: como será sua atuação em relação à sua família e aliados, que historicamente foram beneficiados por sua administração?
A preocupação de que velhas práticas possam ressurgir não é infundada. Além disso, há o risco de que a empresa de Achiles Santos de Souza, também denunciada no passado por participação em contratos supostamente fraudulentos, continue sendo favorecida. Essa prática mina a confiança pública na administração e perpetua uma cultura de impunidade que desmotiva investimentos e iniciativas voltadas ao desenvolvimento econômico sustentável de Itanhém. Essa situação exige atenção redobrada das instituições fiscalizadoras.
A Câmara de Vereadores de Itanhém tem o dever de exercer um papel rigoroso na fiscalização das licitações e contratos realizados pela nova gestão. Isso inclui o acompanhamento detalhado das movimentações financeiras da prefeitura e também a atuação proativa na denúncia de irregularidades ao Ministério Público. Da mesma forma, cabe ao MP assegurar que as investigações em curso sejam levadas a termo, com a devida responsabilização de todos os envolvidos.
Em um cenário político marcado por práticas questionáveis, a sociedade civil deve assumir um papel de destaque na vigilância e cobrança por uma gestão mais transparente. As redes sociais podem ser um instrumento poderoso para mobilizar a população e expor possíveis irregularidades, como demonstrado em campanhas de combate à corrupção em municípios vizinhos, onde denúncias feitas pela população em plataformas digitais resultaram em investigações formais e maior controle social sobre os gastos públicos. A transparência deve ser a pedra angular dessa nova gestão, e a pressão popular pode ser determinante para que Bentivi e seus aliados se comprometam com uma administração ética.
O terceiro mandato de Bentivi, longe de ser apenas uma nova oportunidade de mudança para Itanhém, é um alerta vermelho sobre a continuidade de práticas políticas questionáveis e antiéticas. A história do prefeito e seus aliados, marcada por escândalos de denúncias de fraudes em licitações, nepotismo e favorecimento de empresas ligadas a sua família, indica que a população não pode se permitir o luxo de ser complacente com o retorno de velhas práticas. Mais preocupante ainda é a possibilidade de que novos esquemas sejam arquitetados, como a criação de empresas com o objetivo claro de beneficiar familiares e aliados políticos do prefeito, uma estratégia que já foi utilizada no passado e que pode voltar a ser aplicada de forma ainda mais dissimulada.
A Câmara de Vereadores, ao invés de ser um instrumento de legitimação de um governo falho, tem o dever de ser um verdadeiro baluarte contra esses abusos. O papel fiscalizador dos vereadores não pode se restringir a uma postura passiva; é preciso que atuem de forma incisiva, denunciando e combatendo qualquer tentativa de utilizar recursos públicos para fins privados. O Ministério Público, por sua vez, precisa garantir que as investigações sobre atos passados e presentes sigam seu curso sem interrupções, e que os responsáveis sejam efetivamente responsabilizados, sem a proteção de qualquer vínculo político.
Porém, a maior responsabilidade recai sobre a própria população. É a sociedade civil, com sua capacidade de mobilização, quem deve atuar como o principal fiscalizador da gestão pública. Em um momento em que as redes sociais e as plataformas digitais oferecem uma ferramenta poderosa para expor irregularidades, a pressão popular pode ser a chave para garantir que Bentivi e seus aliados não repitam os erros do passado. Se os cidadãos não se engajarem ativamente, não haverá sistema de fiscalização que seja capaz de deter práticas que no passado corromperam os pilares da administração pública.
Portanto, a vigilância deve ser incansável. Não podemos permitir que interesses privados, sejam eles de familiares ou aliados do prefeito, se sobreponham ao bem público. Somente com a atuação firme e coordenada de vereadores, Ministério Público e, especialmente, da população, será possível impedir que Itanhém se veja novamente subjugada por uma gestão que favorece o interesse pessoal em detrimento do coletivo. A responsabilidade de garantir uma gestão ética e transparente é de todos, e a hora de agir é agora.