Em tempos difíceis, a solidariedade da população tem se mostrado mais eficaz do que o próprio poder público em Itanhém. Enquanto órgãos da administração municipal falham em cumprir seu dever com os mais necessitados, cidadãos comuns se mobilizam para suprir necessidades básicas. Foi o que ocorreu com a moradora Sônia Lemos, moradora da zona rural, que, segundo suas próprias declarações, teve o pedido por uma cesta básica negado pela Secretaria de Assistência Social, órgão comandado por Lidiane Guimarães, esposa do prefeito Bentivi (PSB).
Diante da negativa, o comerciante Elisângelo Nunes lançou uma campanha nas redes sociais e, com apoio de empresários locais, conseguiu angariar doações de alimentos para a moradora, sensibilizando a comunidade com o relato emocionado de Sônia. Em um áudio enviado por ela, que viralizou na internet, a mulher detalha o descaso por parte da assistência municipal.
“Pois é, Elisângelo, foi desse jeito, meu filho. Eu fui lá, meu bolsa-família tem dois meses que tá bloqueado. Na Assistência Social, eles ‘disse’ que ia lá fazer uma visita pra mim e ver se realmente eu precisava pra receber a cesta. Eu esperei 30 dias, não apareceu ninguém. Aí, depois, hoje, eu vim, que era o dia de eu pegar meu bolsa-família, voltei lá na Assistência Social, conversei com eles. Eles não me deram a cesta, disseram que não me dar cesta enquanto não ia em casa fazer uma visita. Aí, eu falei assim, tá bom, é porque eu preciso ficar mentindo aqui pra vocês, me humilhando, e se eu tivesse condições, eu não ia me humilhar pra vocês, não”, explicou Sônia, no áudio.
O áudio comoveu internautas e gerou uma onda de indignação. Elisângelo, ao divulgar o caso, comparou o momento atual da cidade a um tempo sombrio da história local.
“Está igual naquela época em que o povo ficava na rodoviária fazendo vaquinha pra fazer uma cesta-básica, pra comprar um remédio... resumindo, nosso município regrediu”, disse.
Uma internauta não poupou críticas à gestão de Bentivi:
“Tá aí a prova. Cadê as cestas, primeira-dama?”, perguntou.
O episódio reavivou debates sobre a transparência e o uso de recursos públicos na área social do município. Recentemente, o vereador Gelso Picoli (Avante) questionou em reunião na Câmara Municipal e nas redes sociais, o valor gasto com cestas-básicas pela gestão Bentivi, solicitando a lista de beneficiários e demonstrando preocupação com a possível utilização política e seletiva da ajuda humanitária. As denúncias de Sônia parecem confirmar a suspeita de que o atendimento é feito com base em critérios subjetivos e, possivelmente, discriminatórios.
Apesar do abandono do poder público, a resposta da comunidade itanheense foi rápida. Elisângelo conseguiu doações dos empresários Guilherme Correia, da empresa Super Sol, Raniery, da Casa Nova e Super Lar e de Diogo Correia, agradecendo publicamente.
“Quero, de antemão, primeiramente agradecer a Deus, e a todos os nossos irmãos itanheenses que se sensibilizaram com a dor da nossa irmã Sônia, e fizeram doações de cestas básicas. Que Deus abençoe vocês. Muito obrigado por tudo. Juntos somos mais fortes.”
Enquanto a população estende a mão aos que mais precisam, a gestão municipal, liderada por Bentivi, parece cada vez mais distante da realidade do povo.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro