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Sexta-feira, 17 de Abril 2026
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Caso de larvas na merenda do Polivalente de Itanhém termina com punição de estudantes e revolta mãe

Após denúncia sobre suposta presença de larvas na merenda escolar, estudantes são suspensas por três dias; mãe questiona postura da direção e cobra transparência.

Caso de larvas na merenda do Polivalente de Itanhém termina com punição de estudantes e revolta mãe
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Pouco mais de duas semanas após a repercussão de um vídeo que mostraria supostas larvas na merenda escolar do Colégio Polivalente de Itanhém, o caso ganhou novos e delicados desdobramentos. O Água Preta News, responsável por divulgar inicialmente as imagens no dia 30 de março de 2026, foi procurado pela mãe de uma das estudantes envolvidas. Samile Nascimento levanta questionamentos graves sobre a condução da situação por parte da unidade de ensino.

Segundo Samile, sua filha estava presente no momento em que alunos identificaram o que seriam larvas em pratos de macarronada servidos durante a merenda. O episódio, que causou repulsa entre estudantes, teria provocado reações imediatas.

“Minha filha disse que alguns alunos chegaram a vomitar após ingerirem o alimento”, relatou.

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Há ainda o relato de um estudante que precisou de atendimento médico após consumir a merenda. O Água Preta News teve acesso ao depoimento da mãe do aluno, que descreveu os sintomas apresentados.

“Na noite do dia 30 ele começou a passar mal. No dia seguinte, já não queria comer. Achei que fosse outra coisa, mas depois ele contou que tinha ingerido alimento com larvas na escola. Ele teve febre e dor de cabeça”, disse a mãe no áudio.

Apesar da gravidade das denúncias, Samile afirma que nenhum comunicado oficial foi feito pela escola aos pais dos alunos naquela ocasião.

O ponto mais sensível do caso veio dias depois.

De acordo com Samile Nascimento, quatro adolescentes, incluindo sua filha, foram suspensas por três dias sob a justificativa de uso indevido de celular dentro da unidade escolar. A punição foi formalizada em documento assinado pela vice-diretora Creusa Ferreira dos Santos.

O detalhe que levanta controvérsia é que, segundo os relatos, o aparelho celular teria sido utilizado justamente para registrar as imagens das supostas larvas na merenda.

“A escola não entrou em contato com a gente na ocasião do problema e agora suspende nossas filhas. Isso é uma falta total de respeito com os pais”, criticou Samile.

A suspensão, segundo ela, impacta diretamente a vida escolar das adolescentes, que permanecem três dias fora da sala de aula, acumulam conteúdos, perdem avaliações e ainda têm cerca de 21 faltas registradas nesse período.

Samile afirma que sequer foi comunicada oficialmente pela escola sobre a suspensão.

“Eu que precisei ligar. A diretora não me atendeu. Depois falei com a vice-diretora, que confirmou a suspensão”, disse.

Outro ponto levantado é o procedimento adotado pela instituição ao solicitar a assinatura do documento disciplinar diretamente às alunas.

“Minha filha se recusou a assinar, porque sempre orientei que não assinasse nada sem a presença dos pais. O correto seria chamar as famílias para uma reunião”, questionou.

O Água Preta News teve acesso a uma conversa entre Samile e a diretora da escola, Denise Lisboa que, em um trecho afirma:

“E sua atitude nas redes sociais, agrava a situação, diante da lei [regras de não uso de celular]. Seria de bom senso, não ter postado”, escreveu Denise. A fala foi reproduzida ipsis litteris, preservando inclusive o uso original de pontuação, ainda que em desacordo com as normas gramaticais.

A declaração da diretora, no entanto, abre margem para interpretação de que a manifestação da mãe possa ter sido desencorajada, o que levanta questionamentos sobre possível tentativa de intimidação. Até que ponto esse tipo de posicionamento da diretora do Colégio Polivalente pode ser interpretado como orientação institucional ou como tentativa de intimidação?

Especialistas em educação costumam apontar que regras internas, como a proibição do uso de celular, têm objetivos pedagógicos claros, como evitar distrações em sala, preservar o ambiente de aprendizagem e prevenir casos de exposição indevida entre alunos.

No entanto, essas regras não são criadas para impedir denúncias de possíveis irregularidades, especialmente quando envolvem saúde pública, como a qualidade da alimentação escolar.

A decisão da escola em punir as adolescentes pela denúncia que fizeram nas redes sociais levanta um debate mais amplo sobre a adequação pedagógica de se punir estudantes que registraram um problema dessa natureza.

Samile, que também é professora há 18 anos, com atuação na rede pública e privada do município, é enfática em dizer que “o que mais se deve ensinar é que os alunos busquem seus direitos, que não se calem diante de injustiças.”

Ela também questiona a ausência de responsabilização pelo fato de a escola ter servido aquela macarronada para os alunos.

“Alguém foi punido por servir comida com larvas? A escola não se retratou. Faltou humildade”, disse.

Para Samile, a medida aplicada às adolescentes não cumpre função educativa e pode ser considerada desproporcional.

“Punir uma aluna inserida em uma situação de possível irregularidade na alimentação escolar não atende ao caráter educativo que a legislação prevê.”

Outro elemento que reforça os questionamentos é a ausência de esclarecimentos oficiais.

Antes da publicação da primeira matéria, no dia 30 de março, o Água Preta News aguardou por cerca de três horas e meia uma nota da direção da escola, que chegou a ser mencionada, mas nunca foi efetivamente enviada até a redação.

Segundo Samile, o silêncio continuou.

“A instituição não procurou nenhuma das mães e não houve qualquer retratação sobre o caso da merenda”, explicou.

Diante da situação, Samile afirma que já tomou medidas para buscar responsabilização.

“Mandei mensagem para o Ministério Público. Vou judicializar a situação”, garantiu.

Ela ressalta que reconhece a existência de regras sobre o uso de celular, mas defende a análise do contexto.

“Esse foi um caso isolado. Minha filha não usa celular em sala. Houve necessidade de expor uma situação grave”, defendeu.

Perguntando por qual motivo estão querendo silenciar o caso da macarronada, Samile resume o sentimento de parte das famílias envolvidas, afirmando que a conduta das estudantes não condiz com histórico de indisciplina.

“As meninas nunca deram trabalho. Fizeram o que ensinamos em casa”, disse.

O episódio ultrapassa os muros do Colégio Polivalente e levanta questões sensíveis, como a transparência na gestão escolar, a qualidade da merenda oferecida aos alunos, os limites das normas disciplinares, o direito à denúncia e a proteção de estudantes e famílias. Enquanto isso, permanecem sem resposta perguntas centrais sobre a apuração interna da suposta presença de larvas, a eventual identificação de responsáveis, a ausência de comunicação formal aos pais e a comunidade estudantil e a proporcionalidade da punição aplicada às alunas.

O Água Preta News reforça que o espaço segue aberto para manifestação da direção do Colégio Polivalente de Itanhém, da Secretaria de Educação do Estado e de quaisquer órgãos responsáveis pela merenda escolar.

A reportagem continuará acompanhando o caso.

Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro

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O Água Preta News começou a operar, oficialmente, em 30 de agosto de 2016. A data – dia e mês – é a mesma do aniversário do poeta e jornalista Almir Zarfeg, cuja obra poética de estreia, “Água Preta”, deu nome ao site de notícias e entretenimento.

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