As estradas do município de Itanhém estão virando um verdadeiro campo de batalha pela luta diária da população para conseguir sair de casa e chegar ao destino. Em vídeos que circulam nas redes sociais, motoristas demonstram indignação com a situação vergonhosa das vias rurais. A estrada que liga a sede aos entroncamentos de Vila São José e Santa Rita do Planalto, por exemplo, virou símbolo do abandono. Nesse trecho foi registrado uma fila imensas em razão de carros atolados.
A cena é a mesma em diversos pontos do município, com moradores improvisando rotas, empurrando veículos e contando com a sorte para não passar a madrugada dentro do veículo. No último final de semana, um vídeo viralizou, depois que um motorista, tomado pela revolta, disparou, chamando o prefeito Bentivi de “safado” e “pilantra”. Palavras duras, mas que refletem a exaustão de um povo que paga impostos e não vê retorno em serviços básicos, como infraestrutura viária.
A resposta da gestão foi a mais irresponsável possível. Ao invés de deslocar-se para as áreas afetadas, convocar equipe técnica e apresentar um plano emergencial para recuperação das estradas, o prefeito decidiu que era hora de pensar em festa junina. No gabinete com ar condicionado e sofá luxuoso, o prefeito abriu as portas para representantes dos cordões de São João, debatendo dias e horários para os desfiles pelas ruas da cidade. Enquanto isso motoristas e moradores das vilas e distritos atolam no descaso e na covardia do gestor.
Claro que é importante valorizar a cultura. Mas é revoltante ver a prioridade dada ao entretenimento enquanto o município afunda na lama. As tradições populares merecem atenção, mas não às custas do sofrimento de quem precisa de estrada para levar o filho ao médico ou o leite, a mandioca, e a abóbora para vender.
Itanhém é um município majoritariamente rural. Quando o prefeito despreza a malha viária que sustenta a economia e a vida cotidiana do povo, ele dá o recado de que seu governo tem prioridades, e o sofrimento da população não está entre essas prioridades.
A gestão pública exige responsabilidade e senso de urgência. E se Bentivi não percebe isso, talvez esteja mais preparado para coordenar festejos, já que ele gosta muito de uma “cachaça”, do que administrar uma cidade.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro