Enquanto a cidade de Itanhém celebra, nesta quinta-feira (14), 67 anos de existência, os professores vivem mais um capítulo de desrespeito e humilhação. O prefeito Bentivi, do PSB, decidiu transformar o pagamento atrasado da primeira parcela do salário do último mês de dezembro em um “presente” pelo aniversário da cidade. Um presente que, para quem se dedica diariamente à educação, nada mais é do que constrangimento e demonstração de descaso.
A velha tática de Bentivi se repete, e cumprir uma obrigação básica se transforma em motivo para posar de generoso. Em vídeo que circulou nas redes sociais na semana passada, o prefeito aparece falando a um grupo de professores, com pompa e teatralidade, como se estivesse realizando um ato extraordinário, quando, na verdade, trata-se apenas do que já deveria ter sido pago há muito tempo. Ao lado dele, o secretário de Educação, Sady Neto surge sorrindo, com a expressão típica de quem se diverte com a humilhação alheia, completando o quadro de desrespeito.
Não há presente algum. O que existe é um gestor que, em vez de resolver a situação de forma transparente e digna, escolheu protelar, judicializar e humilhar os professores. Meses de angústia se transformam em uma migalha liberada estrategicamente durante o período de festa. Um cínico espetáculo político, com aplausos mal-intencionados ou impensados de educadores que, infelizmente, acabam legitimando a ideia de que salário é favor, e não direito.
É verdade que a gestão anterior, liderada por Mildson Medeiros, do Avante, errou ao não pagar os salários de dezembro; possivelmente o pior erro de seu mandato. Mas isso não absolve Bentivi, afinal, a dívida é da prefeitura e não de prefeito. Ao invés de adotar uma solução definitiva, ele optou pelo caminho mais sujo, carregado de atrasos, manipulação e politicagem. E, como não poderia faltar, reforça sua fama de “amante da cachaça” ao usar o calendário festivo como justificativa para liberar o que já deveria ter sido pago meses atrás, e ainda posando de bonzinho.
O resultado é humilhação, desvalorização e constrangimento. Professores que deveriam ser homenageados neste aniversário da cidade tornaram-se plateia de um teatro de mau gosto, vendo seu direito mais básico transformado em esmola festiva. A cidade de Itanhém merece celebração, mas ela não se faz ignorando, manipulando e desrespeitando aqueles que constroem a sociedade diariamente nas salas de aula.
Chega de politicagem barata e covarde, Bentivi. Salário de servidor não é presente, é direito. E quem cumpre apenas o básico não merece medalha; merece ser cobrado, com firmeza e justiça, especialmente por aqueles que têm a missão de ensinar aos jovens o valor da dignidade e da crítica.
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro