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Quarta-feira, 21 de Janeiro 2026
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Ao som de Amado Batista, os riquinhos de Água Preta se divertiram e arrotaram de graça

Crônica de Edelvânio Pinheiro

Ao som de Amado Batista, os riquinhos de Água Preta se divertiram e arrotaram de graça
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Mania ruim que ricos e puxa-saco de ricos têm de olhar pobres de cima pra baixo. Até na festa de aniversário dos 64 anos da cidade, quando todos deveriam sentir-se iguais pelo menos por algumas horas comemorativas, inventam um tal de camarote para satisfazer o prazer que eles têm de olhar a pobraiada lá do alto.

Não fui à festa em nenhuma das três noites. Não gosto que fiquem me olhando atravessado e muito menos de cima para baixo. Preferi me recolher à minha humilde pobreza a me submeter à arrogância da classe que acha que tem sangue azul e que vergonhosamente aproveita o dinheiro do povo para fazer festa, tomar uísque importado e comer as deliciosas empadinhas de camarão feitas por Nidinho e Sandrinha.

Para acessar o camarote da discórdia, era necessária uma pulseira que dava a você, por alguns instantes, o título de nobreza. O público foi tão seletivo naquele espaço que nem sequer cabiam os representantes do Poder Legislativo. Os vereadores que conseguiram entrar ali tiveram que esbravejar, empurrar seguranças e ameaçar parar de ficar rasgando seda para o prefeito nas reuniões da Câmara Municipal e, a partir de agora, serem o que nunca ou poucas vezes foram: vereadores de verdade.

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Com visão privilegiada, de lá não era necessário esticar o pescoço, como tiveram que fazer os simples mortais, para ver o ídolo Amado Batista cantar "princesa, a deusa da minha poesia". Afinal ricos não podem inflamar os esternocleidomastóideos, se não como dariam gargalhadas dos pobres no dia seguinte?

Não é desejo deste humilde contador de história dividir ainda mais os clãs e os pseudoclãs dos pobres sofridos das terras de Água Preta. A intenção é apenas alertar os gestores dos cofres –onde fica guardado o dinheiro que chega de longe para servir o povo – para o seguinte: quando riquinhos quiserem ouvir o mais amado do Brasil ao vivo e comer empadinhas de camarão que vendam seus bois.

Fonte/Créditos: Crônica de Edelvânio Pinheiro

Água Preta News

Publicado por:

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O Água Preta News começou a operar, oficialmente, em 30 de agosto de 2016. A data – dia e mês – é a mesma do aniversário do poeta e jornalista Almir Zarfeg, cuja obra poética de estreia, “Água Preta”, deu nome ao site de notícias e entretenimento.

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