Há discursos que se perdem no ar do plenário de uma Câmara de Vereadores, principalmente aqueles que saem da boca apenas para beneficiar o bolso ou as particularidades dos políticos. Mas, existem discursos que mexem na vida de quem mora longe do microfone do Legislativo Municipal. Na sessão da última segunda-feira (26), o presidente da Câmara de Itanhém, Paulinho Correia, levou para a tribuna o sofrimento que o povo passa nas ruas de suas casas.
O caso da região conhecida na cidade como bairro Derilton Porto mostra bem isso. Segundo o vereador, em pleno período de chuva, a coleta ficou cinco dias sem passar, e uma moradora ligou “desesperada” pra ele. Em vez de esperar um ofício, ele ligou para a secretaria e fez a pergunta que qualquer morador, que pagam seus impostos, faria: “Por que não pega o lixo desse bairro e resolve o problema do povo?”. O resultado, veio rápido. Menos de meia hora depois, a coleta tinha sido feita. Foi a prova de que muitos problemas não faltam solução, faltam cobrança e boa vontade.
Nesse mesmo dia, Paulinho também soube reconhecer quem trabalha. Agradeceu ao servidor que atendeu a demanda, chamando ele de esforçado. Mas deixou claro o papel de quem ocupa cargo público: “o secretário e quem trabalha ali [na secretaria] não é sentar em cima do problema; eles estão ali para resolver o problema.”
O ponto mais forte do discurso veio na questão de Vila São José, onde, segundo Paulinho Correia, as carcaças de animais descartadas por um empresário vêm causando transtornos aos moradores próximos do lixão. Ao ouvir que a prefeitura não buscaria o material por causa do custo e da falta de veículo, Paulinho foi direto: “Seriam sete, dez litros de combustível. É um custo para a prefeitura? Ou custo para o morador, [que] fica dia e noite com fedor dentro de sua casa?” E concluiu com uma frase que deveria estar na parede de toda repartição da Prefeitura Municipal de Itanhém: “O bem-estar do cidadão é o que tem que valer.”
Na fala de Paulinho naquela dia há ainda uma bela lição sobre empatia, dita sem rodeios: “Empatia não é sentir pena.” Para ilustrar, ele lembrou que, se o problema estivesse na casa do vereador, do secretário ou do prefeito, a carcaça “não ficaria lá”. É a lógica simples de que o serviço público deve tratar a rua do outro como trataria a sua própria rua.
Cobrar informação, como o presidente fez ao anunciar um documento para saber quantos veículos a Infraestrutura tem locados, não é ataque ao Executivo. É o papel constitucional do Legislativo e uma forma de ajudar a gestão a se organizar. Quando a Câmara fiscaliza com argumento, exemplo concreto e linguagem do povo, quem ganha é a cidade inteira.
No dia 26 de outubro de 2026, que servirá de exemplo para todo vereador, Paulinho Correia encerrou com um recado que vale para qualquer agente público: “Vamos pensar no povo, vamos cuidar do povo.”
Fonte/Créditos: Por Edelvânio Pinheiro
Créditos (Imagem de capa): Foto: Epitácio Costa/Itanhém Fest